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‘Não se faz mudanças desse porte em um governo transitório’

O presidente da CUT Vagner Freitas se opõe à reforma da Previdência desde o governo de Dilma Rousseff. Na sua avaliação, idade mínima e equiparação entre homem e mulher ignoram a realidade nacional. 

Alexa Salomão, O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2016 | 05h00

Como o sr. vê a intenção de se fazer uma reforma da Previdência nesse momento?

Inoportuna. Primeiro porque não se faz reformas, mudanças desse porte, em um governo transitório. O Temer é um golpista. Não reconhecemos o seu governo. Mudanças assim são feitas com governos permanentes, representativos. Esse nem foi eleito. E, em segundo lugar, não podemos apoiar porque eles partem do princípio de que é preciso adotar a idade mínima e outras medidas para as quais a CUT já se opôs até durante o governo Dilma. 

Por que fixar uma idade mínima seria um problema?

O Brasil tem uma peculiaridade: as pessoas começam a trabalhar cedo. A classe trabalhadora começa aos 14, 15 anos. A classe média, só depois da faculdade. A aposentadoria por idade iria beneficiar quem começa a trabalhar mais tarde. É um equívoco, do tamanho do mundo, não reconhecer essa característica. E há outro problema: querem igualar a regra para mulheres e homens. 

Qual o problema nesse caso?

Você que é mulher deve saber que equiparar é desconhecer a real relação entre homem e mulher no Brasil. Mulher faz tripla jornada. Os homens não dividem tarefas domésticas. Vão penalizar as mulheres. 

Os defensores da reforma alegam que não haverá receita para pagar as aposentadorias se mudanças não forem feitas. Como o sr. vê esse argumento?

Esse é um bom debate. Realmente, há um grupo de economistas que usa essa argumentação, mas outro discorda. É preciso entender melhor como é gerado do déficit da Previdência. O que é deficitário? Por que é deficitário? Há sonegação? Reconhecemos que em 30, 40 anos vamos ter problemas com a Previdência, mas precisamos sentar em fórum legítimo para discutir outras medidas, não adotar essas, que são conservadoras. 

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