Clayton de Souza/Estadão
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Não se pode esperar milagre, diz Trabuco

Para presidente do Bradesco, ajustes feitos pelo novo ministro da Fazenda são positivos, mas seus efeitos só vão aparecer em 2016

FERNANDO NAKAGAWA, ENVIADO ESPECIAL à Suíça, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2015 | 02h02

DAVOS - O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, elogiou os primeiros dias do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Para o executivo do segundo maior banco privado do Brasil, as ações anunciadas até agora indicam "choque de credibilidade fiscal" que permitirão aumentar a confiança do investidor e o investimento no futuro. Para 2015, porém, diz que não se pode "acreditar em milagres" em termos de crescimento. O executivo não comentou o suposto convite para ser ministro da Fazenda.

Um dia após o anúncio do pacote que aumentará a arrecadação de impostos em quase R$ 21 bilhões, Trabuco fez uma avaliação positiva e otimista dos primeiros 20 dias do ministro Levy. "Acho que neste mês de janeiro muitas coisas estão sendo endereçadas positivamente", disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O presidente do Bradesco entende que o primeiro efeito das medidas pode ser negativo para indicadores como a inflação, mas prevê que o resultado final será "extremamente saudável".

Trabuco dá como exemplo a volta da cobrança da Cide. "É lógico que a Cide atingirá o indicador de inflação, mas isso ajudará a resolver problemas. A Cide ajudará a estabelecer um preço mais real para o combustível, cria uma gordura fiscal e ainda começa a endereçar um problema atualmente enfrentado pelo setor do etanol."

Apesar da avaliação positiva, os benefícios da gestão Levy só serão sentidos mais explicitamente em 2016. Ao ser questionado sobre as perspectivas da economia brasileira em 2015, o executivo foi direto e disse que não se pode "acreditar em milagres". Para ele, será um ano de ajustes. "A economia mundial está para baixo e há revisões de crescimento em todo o planeta. O preço das commodities e a necessidade de ajustes afetam o Brasil. Se conseguirmos enfrentar esses desafios com coerência, vamos chegar ao ano com crescimento perto de zero. Não será um ano vitorioso em termos de PIB."

Carga tributária. O presidente do Bradesco reconhece que a carga tributária já é elevada, mas diz que, diante das atuais condições econômicas brasileiras, é preciso aumentar temporariamente ainda mais a carga de impostos. "Para reduzir a carga tributária, precisamos de ajuste fiscal. Sem isso, seria simplesmente um sonho reduzir a tributação. Neste momento, porém, precisamos de aumento da carga tributária. Por quê? Porque você tem equações a serem resolvidas", diz Trabuco.

Com a melhora da situação fiscal gerada pelo corte de gastos e aumento de arrecadação, o presidente do Bradesco entende que a confiança no País aumentará e, como consequência, os investidores ficarão mais interessados no Brasil. Nesse ambiente, as concessões deverão ter papel fundamental para a retomada da economia.

Para que as obras de infraestrutura voltem a sair do papel com mais rapidez, porém, Trabuco diz que é preciso corrigir alguns problemas. Um deles está ligado à governança das empresas de obras públicas, cuja situação está "um pouco confusa". O executivo não entrou em detalhes, mas muitas das grandes empresas que costumam participar das concessões públicas estão com problemas diante das investigações da operação Lava Jato na Petrobrás.

Ele defende ainda que, para que as concessões deem certo, o País "não pode ter preconceitos" com o capital. "Não pode haver preconceito contra o investidor ou o capital estrangeiro ou mesmo uma vigilância exagerada na taxa de retorno." Além das obras de infraestrutura, Trabuco avalia que o setor de etanol e petróleo e gás terão papel importante no aumento dos investimentos e na retomada da economia nos próximos trimestres. Isso acontecerá mesmo com a queda do preço do petróleo. "Isso pode amenizar a tendência, mas o setor continuará importante em termos de investimento."

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