Não sei quando inflação voltará à meta, diz Lula

'O que sei é que a inflação não vai voltar', diz presidente, ressaltando medidas para evitar alta de preços

Leonencio Nossa e Jair Rattner, de O Estado de S. Paulo,

25 de julho de 2008 | 17h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que não é possível saber se a elevação da taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto porcentual fará ou não com que a inflação caia para baixo do teto (6,5%) da meta ainda em 2008. "Eu não sei quando vai ficar abaixo do teto. O que sei é que a inflação não vai voltar", afirmou o presidente.  Veja também:Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preçoCopom surpreende e sobe juro em 0,75 ponto, maior em 5 anosA evolução da taxa Selic no governo Lula   Em entrevista coletiva na residência do embaixador brasileiro na capital portuguesa, Celso de Souza, Lula voltou a afirmar que o governo tomará "todas as medidas" para evitar o crescimento da inflação. "Graças a Deus, o Brasil é o país em que menos tem crescido a inflação, entre os emergentes." A um repórter que lhe perguntou se o governo fará cortes de gastos para reforçar o controle da inflação, o presidente respondeu: "Nós não temos mais o que cortar de gastos do governo. Fizemos os ajustes que deveríamos ter feito."  "Fizemos um fundo soberano que é uma mistura de fundo soberano com superávit primário. Aumentamos em 0,5 ponto o superávit primário (para 4,3%). As medidas estão sendo tomadas. Obviamente, não é possível um governo ficar anunciando com antecipação o que vai fazer amanhã, depois de amanhã e nos mês que vem. A única coisa que posso afirmar é que a inflação não voltará", continuou.  Ainda respondendo a perguntas sobre os possíveis efeitos dos juros altos, admitiu, que o aperto monetário "pode" reduzir o crescimento econômico. "O objetivo do BC quando aumenta os juros", comentou, "é diminuir a demanda." E acrescentou: "Precisamos agora fazer com que a oferta cresça. Estamos tentando fazer essa combinação, ao mesmo tempo em que a gente precisa dizer para a sociedade brasileira que o consumo não pode ser infinitamente superior à capacidade de oferta do País. Precisamos fazer com que a oferta cresça."  Autonomia Lula defendeu a autonomia do Banco Central para definir a Selic. O presidente evitou endossar a tese do vice-presidente da República, José Alencar, de que o Copom, com esse aumento de 0,75 ponto porcentual, teria exagerado na dose. "O BC está lá para fazer a política monetária. Se a diretoria (do BC) entender que deve tomar essa medida..., poderia ter sido menos, poderia ter sido mais... O que nós queremos é que a posição assumida pelo BC cause os efeitos que deve causar na economia brasileira." Em seguida como tem feito com freqüência ultimamente, Lula voltou a enaltecer o fato de que grandes investimentos estão sendo feitos na economia brasileira - em novas siderúrgicas, ferrovias, indústria automobilística, construção de usinas hidrelétricas. "Se acontecer o que estou imaginando que pode acontecer", disse, "será o melhor dos mundos: a economia crescendo e a inflação controlada."

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