Marcos Corrêa/PR
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'Não sinto pressão nem interferência alguma do governo', diz presidente do Banco do Brasil

Rubem Novaes afirmou que não houve pressão do governo após o veto da peça publicitária e o pedido de Jair Bolsonaro sobre os juros no crédito rural. Ele afirmou ainda que 'o fato de ser um banco público, mais atrapalhou do que ajudou o Banco do Brasil'

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 12h40
Atualizado 09 de maio de 2019 | 21h29

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou nesta quinta-feira, 9, que, da sua parte, não há nenhuma pressão nem interferência do governo após os episódios de retirada do ar do filme publicitário e a fala do presidente Jair Bolsonaro sobre os juros no crédito rural.

"Antes de assumir a presidência do banco, eu estudei muito a sua história. O fato de ser um banco público, de verdade, mais atrapalhou do que ajudou o Banco do Brasil. Nas da minha parte, atualmente, não sinto pressão nem interferência alguma do governo", disse o executivo, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira. 

Novaes afirmou que o BB está debruçado em procurar o melhor retorno para os seus acionistas. Esse, conforme ele, foi o mandato que recebeu do governo Bolsonaro. "Não tenho sofrido interferência para sair desse rumo", reforçou o executivo. O presidente do BB disse que o banco tem liberdade para definir os seus juros e que a fala de Bolsonaro quanto às taxas cobradas no crédito rural foi uma "brincadeira".

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Rubem Novaes reafirmou que não gostou do filme publicitário retirado do ar porque não contemplava a juventude brasileira como um todo. O filme tinha minorias, como gays e negros, em seu elenco. “O presidente (Jair Bolsonaro) viu primeiro e me ligou. Foi um erro. Eu deveria ter visto primeiro. Assisti ao filme publicitário e não gostei. Estranhei. Nosso objetivo é atingir toda a juventude, que não estava no filme, o jovem fazendeiro, o esportista, o nerd”, afirmou.

De acordo com Novaes, o filme, que culminou na saída do diretor de marketing do BB, Delano Valentim, era muito concentrado na juventude descolada. Segundo ele, a decisão de retirar a campanha do ar foi do banco. “Vamos ver como atingir a juventude de maneira mais adequada”, disse.

Novaes admitiu que a suspensão do filme criou “certo ruído”. Segundo ele, contudo, às vezes é preciso “enfrentar alguns ruídos” para fazer mudanças. “Não nos arrependemos de tirar filme do ar”, disse. “Vamos incorporar jovens no novo filme.”

Novaes afirmou ainda que o BB segue com a diretriz de rejuvenescer os clientes. Pessoas com menos de 20 anos representam apenas 3% da base do banco. A maior parte dos clientes – mais de 40% – têm acima de 40 anos. O BB ainda não selecionou o novo diretor de marketing.

Lucro líquido do BB cresceu 40,3% no 1º trimestre

O BB superou as projeções de mercado ao entregar, nesta quinta, um lucro líquido ajustado de R$ 4,247 bilhões no primeiro trimestre, o que representou uma alta de 40,3%, ante um ano. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, o aumento foi de 10,5%. 

Em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, o BB destaca que o resultado do primeiro trimestre foi afetado pelo aumento da margem financeira bruta, redução das despesas de provisão de crédito, aumento das rendas de tarifas e pelo controle de custos.

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