Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Não solte balão

O seguro de incêndio cobre os danos causados pelos balões, mas há perdas que são insubstituíveis; muito melhor é não correr o risco

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2013 | 02h05

Se as seguradoras não tivessem mecanismos de proteção que diluem o impacto do pagamento das indenizações, com certeza, não gostariam dos meses de férias, do carnaval, Páscoa e demais feriados prolongados. A razão é simples: nestes períodos aumenta o número de sinistros. E o aumento se dá por causas que também não empolgam as companhias de seguros: bebidas alcoólicas, drogas, prática de esportes radicais, direção temerária, e mais uma série de situações em que o cidadão aumenta o risco de se expor a perigos desnecessários.

Da mesma forma, que as seguradoras não simpatizam com essas ações, elas reprovam a prática, comum nesta época do ano, de soltar balões. E elas estão certas. Os balões representam uma ameaça constante a patrimônios e pessoas, causando prejuízos de monta em função dos incêndios gerados pela queda com a mecha acesa.

Um balão cortando a noite, voando silenciosamente iluminado, pode ser lindo. Se alguns mais simples não empolgam, há os que são verdadeiras obras de arte, com luzes penduradas, fogos de artifício, e formas deslumbrantes.

Soltar balão remonta há muito tempo atrás. Faz parte da tradição brasileira soltar balões em junho, época das festas juninas, para deixar mais bela a noite do começo de inverno, invariavelmente, limpa e clara.

O problema é que os balões em algum momento caem, e é aí que mora o perigo. Como são mantidos no ar pelas mechas pegando fogo que garantem o ar quente dentro de seu corpo oco, ao caírem, com elas acesas, se transformam em estopins para grandes incêndios, completamente aleatórios, desde um campo deserto, até o telhado de uma casa no centro de uma grande cidade.

Se os danos de um incêndio podem ser terríveis, dependendo de onde o balão cai, ficam mais dramáticos ainda. Imagine a possibilidade real e concreta de um balão cair no tanque de uma refinaria, ou no depósito de uma indústria química, ou num galpão armazenando produtos inflamáveis.

Além dos prejuízos diretos, a possibilidade do fogo se espalhar destruindo a totalidade das instalações, há ainda o risco das chamas atingirem quarteirões inteiros, maximizadas pelas explosões decorrentes do incêndio, repetindo por aqui as cenas vistas na explosão de uma fábrica nos Estados Unidos, não faz muito tempo.

E o fato do balão cair num campo desabitado não diminui em nada a extensão dos danos. Nesta época do ano, os campos estão secos, bastando uma pequena fagulha para desencadear um enorme incêndio. E a realidade é a mesma numa zona de floresta, seja nativa, seja plantada. A mecha do balão é o estopim perfeito para dar origem a uma catástrofe de proporções inimagináveis, capaz de atingir natureza e seres humanos com a mesma violência brutal e uma enorme capacidade de destruição.

Mas ainda há mais: em sua trajetória sem controle os balões são uma ameaça constante para a aviação em geral. Além de ameaçarem a rede de alta tensão responsável pelo abastecimento de energia elétrica. A batida de um balão num cabo de energia pode significar um apagão gigantesco numa vasta área do território nacional.

O valor máximo possível para os danos causados por um balão é inimaginável, e vai depender da área atingida. Mas se ele é capaz de causar danos de bilhões de reais, é também capaz de cair sobre uma humilde residência de periferia, e nem por isso o drama seria menor. A destruição do lar de uma família tem todos os ingredientes das grandes tragédias, ainda que seu valor econômico não seja comparável ao incêndio e as explosões de uma refinaria de petróleo.

Em princípio, o seguro de incêndio cobre os danos causados pelos balões. Mas o fato de haver cobertura de seguro não significa que o problema esteja resolvido. Por mais completo e abrangente que uma apólice seja, ela indeniza apenas uma parte dos prejuízos. Há perdas que são insubstituíveis, então por melhor e mais eficiente que seja o seguro, muito melhor é não correr o risco e não soltar balões.

* É PRESIDENTE DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, SÓCIO DA PENTEADO MENDONÇA ADVOCACIA E COMENTARISTA DA 'RÁDIO ESTADÃO'

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.