Wilton Junior/Estadão
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'Não somos contra a investigação', dizem funcionários do BNDES

Após operação da PF, profissionais solicitaram uma audiência com a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, e querem que ela intensifique publicamente a defesa do corpo técnico da instituição

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2017 | 19h05

RIO - Após divulgar uma carta aberta à diretoria do BNDES condenando a condução coercitiva de funcionários do banco, durante operação da Polícia Federal na última sexta-feira, 12, a Associação de Funcionários da instituição (AFBNDES) decidiu na tarde desta segunda-feira, 15, solicitar uma audiência com a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques.

Segundo o presidente da associação de funcionários, Thiago Mitidieri, o principal objetivo é pedir à presidente que intensifique a defesa pública dos funcionários do banco. "Não somos contra a investigação, pelo contrário. O problema é a forma como os funcionários foram tratados. Internamente, na sexta-feira, a presidente fez uma defesa incisiva dos funcionários, mas publicamente a postura dela foi mais amena", afirma. 

Nesta segunda-feira, 15, a coluna Direto da Fonte, da jornalista Sonia Racy, noticiou que Maria Silvia ficou surpreendida com a Operação Bullish da PF realizada na sexta-feira, e declarou que não tinha compreendido a necessidade das conduções coercitivas dos funcionários no caso JBS. 

"É do interesse do seu corpo funcional e da atual diretoria cooperar ostensivamente para saber se o banco foi usado por terceiros, pois seus empregados cumpriram seu papel de forma proba”, afirmou a presidente. 

Para Mitidieri, Maria Silvia foi mais incisiva do que havia sido ao falar com a imprensa na sexta. "É isso o que queremos: que ela seja firme ao expor que o corpo de funcionários não tem nada a esconder", afirmou Mitidieri.

Não há data para a audiência, que ainda será solicitada. Os funcionários fizeram uma reunião de aproximadamente uma hora, no saguão da empresa, no Rio de Janeiro, a partir das 15h desta segunda-feira.

Humilhação. O expediente na última sexta-feira no BNDES começou sob o impacto das notícias das conduções coercitivas. Consternados, os funcionários consideraram que a PF humilhou seus colegas, ao procurá-los em casa e apreender seus documentos e computadores pessoais. 

O temor dos servidores é que Maria Silvia, que assumiu o cargo em maio de 2016, ponha sob suspeição as gestões anteriores, preservando somente a sua. O receio com investigações já vem do ano passado. Em agosto, a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul determinou o bloqueio de bens de técnicos do BNDES envolvidos na análise de empréstimos para a Usina São Fernando, do pecuarista José Carlos Bumlai, próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por envolvimento em repasses ao PT. 

A nova diretoria abriu uma investigação interna sobre o financiamento, que concluiu que a operação foi contratada “de acordo com as definições operacionais do banco”.

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