"Não somos um leão, somos um gatinho", diz agência do petróleo

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Sebastião do Rego Barros, admitiu hoje que ela é ineficiente para atacar as fraudes e aumentos de preços dos combustíveis. Em depoimento de mais de cinco horas na CPI dos Combustíveis da Câmara, Rego Barros afirmou que a ANP tem hoje pouca autoridade legal e recursos escassos, além de esbarrar em um grande número de processos judiciais. "A agência não causa medo. Não somos um leão, somos um gatinho. Não intimidamos os contraventores", disse, confirmando que há associação da venda ilegal de combustível com o narcotráfico.Segundo Rego Barros, os maiores problemas são dotar a ANP de mais recursos e enfrentar a avalanche de liminares obtidas na Justiça para suspensão de pagamento de impostos. "A sensação hoje é de que temos um tabuleiro de xadrez e vem uma pessoa e lhe dá um pontapé. As ações são, para nós, um pontapé no tabuleiro", afirmou.A defesa do quadro negativo transmitido por Rego Barros teve o apoio dos parlamentares, que decidiram trabalhar em conjunto com a agência nas investigações sobre as fraudes. "É lamentável que o próprio diretor da ANP assuma que a agência é ineficiente em todos os aspectos. Hoje, a ANP não serve para nada", afirmou o presidente da CPI, Carlos Santana (PT-RJ).Na próxima semana, a comissão vai convocar, e não mais convidar, o diretor da Petrobras Rogério Manso, que não atendeu a nenhuma solicitação da CPI para prestar depoimento. Se ele recusar, poderá ser conduzido pela polícia.

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