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Não subestimo tarefa de combater a crise, diz Obama

Presidente eleito dos EUA diz que fará plano para a classe média e corte de impostos para 95% da população

Da Redação,

07 de novembro de 2008 | 18h04

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira, 7, que o governo norte-americano enfrenta "os maiores desafios econômicos do nosso tempo", em sua primeira entrevista coletiva desde as eleições do dia 4 de novembro. Obama ressaltou a atuação dos EUA terá que ser rápida e disse que não subestima "a enormidade da tarefa de combater a crise financeira".   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    "Algumas das opções que faremos serão difíceis. E eu já disse e vou repetir: não será rápido, nem fácil. Mas a América é um país forte e conseguiremos superar esses problemas", afirmou. Obama reafirmou suas prioridades à frente da Presidência norte-americana: energia limpa, educação e alívio fiscal.   Além disso, ele listou suas primeiras ações para combater a crise financeira mundial. "Em primeiro lugar, precisamos de um plano de resgate para a classe média, que crie empregos e forneça alívio para as famílias norte-americanas", disse. Questionado sobre um possível aumento de impostos em seu governo, muito falado por seu rival republicano John McCain, Obama afirmou que seu plano é de corte de impostos para 95% dos americanos.   Segundo ele, também é necessário ampliar os benefícios do seguro-desemprego no país, que registrou o fim de 1,2 milhões de vagas neste ano. Além disso, Obama ressaltou que "já passou da época de os Estados Unidos realizarem um plano de estímulo fiscal".   A segunda prioridade do governo do democrata será minimizar os impactos financeiros da crise nos pequenos negócios dos EUA - com crédito adicional para estas empresas - e nos governos estaduais e municipais. "Eles estão sofrendo com cortes devastadores em seus orçamentos", disse Obama. Ele afirmou que ajudar o setor automotivo a sobreviver à crise e ajudá-lo a criar carros eficientes em termos de combustíveis.   Em terceiro lugar, Obama afirmou que sua equipe vai rever a implementação do programa financeiro desse governo "para assegurar que sua meta está sendo cumprida, protegendo os contribuintes, os donos de imóveis, e não quem não precisa de ajuda".   Bush   Apesar de apresentar suas propostas, Obama deixou claro que o presidente George W. Bush é o único responsável pela administração até 20 de janeiro, quando passará o cargo para o democrata. "Temos que nos lembrar que os Estados Unidos só têm um presidente e um governo de cada vez", disse.   "Eu falei com o presidente Bush e agradeci seu compromisso para assegurar que sua equipe econômica vai nos manter plenamente informado dos desenvolvimentos que ocorrerem", afirmou.   Obama não fez anúncios de nomes de novos integrantes do seu futuro gabinete. O deputado Rahm Emanuel, que será chefe de gabinete do governo Obama, acompanhou a coletiva, bem como o vice-presidente eleito dos EUA, Joseph Biden.   Regulação   Depois de eleger o presidente e de ampliar as suas maiorias na Câmara e no Senado, os democratas se preparam para aprovar um conjunto de medidas de regulação do sistema financeiro, em meio à maior crise econômica dos EUA desde a Grande Depressão dos anos 30.   O pacote que os democratas preparam inclui a criação de um órgão de regulação de risco das instituições financeiras semelhante à Comissão de Valores Mobiliários, que fiscaliza o mercado de ações. O sistema seria consolidado com a fusão de órgãos. As medidas envolvem também novas leis sobre incentivos pagos a altos executivos e sobre operações com cartões de crédito.   O mesmo órgão deve controlar setores que hoje são supervisionados por órgãos distintos e outros que não são regulados por ninguém. Ele terá sob seu guarda-chuva bancos e outras instituições financeiras, companhias de seguros, fundos de hedge e empresas que antes atuavam livremente, como as corretoras que intermedeiam a compra e venda de dívidas hipotecárias. A falta de controle sobre a concessão de créditos com base nesses papéis, ancorados sobre avaliações irreais de casas e apartamentos, desencadeou a crise econômica.   A consolidação do sistema de regulação viria com a fusão do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), que fiscaliza os bancos, e do Escritório de Supervisão da Poupança (OTS). Seriam unidas também a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) e a Comissão de Comercialização de Mercadorias e Futuros (CFTC). Essas idéias já vinham sendo discutidas antes da eleição, no calor da crise.

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