'Não tem acordo' sem flexibilização de EUA e Europa, diz Lula

Presidente diz que que americanos e europeus 'acham que os países emergentes têm que se subordinar' a eles

Agência Brasil e Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

23 de julho de 2008 | 14h58

O presidente  Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 23, que "não tem acordo", se não houver flexibilização nas negociação da Rodada Doha. "Se não houver uma efetiva diminuição dos subsídios dos Estados Unidos e se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola europeu não tem acordo e cada um que arque com sua responsabilidade", disse, após almoço com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no Palácio do Itamaraty.   Veja também: Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra Negociações na Rodada Doha começam a acelerar, diz Amorim Doha está em momento crítico, alerta premiê britânico Índia diz que países desenvolvidos devem propor cortes reais   Lula afirmou que os americanos e europeus "acham que os países emergentes têm que se subordinar à lógica deles" e estão habituados a um tempo em que "não tinha negociação, eles impunham o que eles queriam e os outros eram obrigados a aceitar". Mas atualmente, segundo Lula, "é preciso levar em conta a existência dos países emergentes".   Segundo Lula, durante as negociações da Rodada Doha, cujas reuniões ocorrem em Genebra, Suíça, os países que integram o G20 têm demonstrado aos Estados Unidos e à Europa disposição em fazer concessões em relação aos produtos industriais.   Otimista   Lula disse ainda que é o mais otimista dos chefes de Estado quanto à possibilidade de acordo na Rodada Doha, desde que atendidas várias condições. "Eu tenho dito que sou o mais otimista dos dirigentes do mundo sobre a possibilidade de se fazer um acordo na Rodada de Doha. Até porque estou convencido de que, se nós quisermos ter paz no mundo, combater o terrorismo e evitar essa perseguição aos imigrantes no mundo inteiro, temos que ajudar a desenvolver os países mais pobres", afirmou.   "E isso necessariamente passa por um bom acordo na Rodada de Doha em que os europeus flexibilizem o mercado de agricultura, e os países pobres possam vender seus produtos, que os Estados Unidos reduzam seus subsídios e que nós, do G20, façamos uma flexibilização nos produtos industriais", declarou o presidente, após encontro com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.   Amorim   O presidente manifestou apoio à atuação do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, nas negociações da rodada. "O Celso Amorim é um extraordinário negociador, portanto, penso que estamos em boas mãos". Amorim se envolveu em uma polêmica em Genebra ao comparar a negociação dos países ricos sobre a Rodada Doha com a propaganda nazista (uma mentira dita mil vezes torna-se verdade).   Lula disse ainda que um caminho para amenizar a crise alimentar o mundo é incentivar os países mais pobres a plantarem mais alimentos. "Para os países mais pobres plantarem alimentos é preciso que haja perspectiva de mercado, para eles venderem seus produtos", completou o presidente. Durante as negociações, os Estados Unidos propuseram redução dos subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. O G20, grupo de países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil e Índia, havia pedido um limite de concessão de subsídios de, no máximo, US$ 13 bilhões.   Texto atualizado às 16h37 

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