WANI OLATUNDE PHOTOGRAPHY
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‘Não temos crédito de R$ 10 mil, mas podemos oferecer R$ 500', diz CEO de fintech

Estamos prontos para atender as classes C, D e E”, diz Ekechi Nwokah, presidente da fintech

Entrevista com

Ekechi Nwokah, CEO da fintech nigeriana Migo

Talita Nascimento, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2020 | 05h00

A fintech nigeriana de crédito Migo deve abrir operações no Brasil em meados deste ano. Há dois anos e meio no mercado, a empresa tem 1 milhão de clientes e realizou 3 milhões de empréstimos. “Não importa se o cliente tem uma conta bancária ou não. Estamos prontos para atender as classes C, D e E”, diz Ekechi Nwokah, presidente da fintech. Ele afirma que recebe convites de grandes varejistas para vir ao Brasil há mais de um ano.

Uma das principais parcerias já foi assinada e a empresa aposta agora em pequenos lojistas que vêm a São Paulo fazer compras, mas não têm acesso a crédito. A Migo conta com investimento de R$ 20 milhões da Valor Capital e tem outro “grande investimento por vir”.

Como funciona o negócio da Migo?

O que a Migo faz é capacitar empresas locais para oferecer crédito. É um botão acrescentado no aplicativo ou website deste parceiro. O cliente não precisa ter dados em birôs de crédito. Desde que ele esteja na base desta empresa, ou de outra parceira, nós podemos analisar e oferecer uma linha de crédito. Não importa se o cliente tem uma conta bancária ou não. Estamos prontos para atender as classes C, D e E. Usamos os dados do próprio estabelecimento parceiro e determinamos a linha de crédito. Em vez de usar um cartão para a operação, usamos, por exemplo, o aplicativo dessa varejista. Se aprovamos, movemos o montante do banco que empresta o dinheiro diretamente para a conta do estabelecimento naquele ou outro banco. Não temos crédito de R$ 10 mil, mas podemos oferecer R$ 500 ou R$ 1 mil.

Por que a empresa escolheu o Brasil?

Eu vim para o Brasil porque as pessoas me chamaram, buscando por um parceiro de crédito. Foi uma grande varejista. Eu fui apresentado a eles e a primeira coisa que eu disse foi: “Vocês não têm uma empresa assim no Brasil?” Eles disseram que poderiam achar quem fizesse análise de crédito, plataforma de empréstimo e pagamentos, mas não uma empresa que fizesse tudo isso. Seis meses depois recebi uma segunda ligação. E a terceira ligação que eu recebi foi há cerca de um ano e meio. 

Quais as parcerias já assinadas?

A parceria com uma grande varejista está assinada. E temos outras próximas de serem fechadas. Estamos olhando para os pequenos comerciantes que vêm fazer compras em São Paulo. As pessoas sabem que elas trazem dinheiro vivo e, por isso, os ônibus que usam têm alto risco de serem assaltados nas estradas. Esses lojistas não têm acesso a crédito, têm de trazer dinheiro.

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