Não tenho problema em matar ruralistas, diz aliado argentino

Líder piqueteiro aliado do governo de Cristina Kirchner diz que disposto a tudo para defendê-lo

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

27 de março de 2008 | 16h04

"A única coisa que me move é o ódio contra a p... oligarquia. Não tenho problemas em matá-los todos." Com estas palavras, Luis D'Elia, o principal líder piqueteiro que apóia o governo de Cristina Kirchner, declarou nesta quinta-feira, 27, que está disposto a tudo para defender seus aliados. D'Elia referia-se a "matar" os produtores agrícolas - que realizam piquetes nas estradas para protestar pelo fim dos aumentos das retenções - e a classe média portenha - que protagonizou panelaços para protestar contra a inflação e os escândalos de corrupção do governo. Veja também:Confrontos deixam vários feridos em panelaços na ArgentinaAgricultores pressionam Cristina D'Elia, em declarações à rádio FM Reporter 650, afirmou que possui um "ódio visceral" contra o que denominou "os brancos do Bairro Norte (designação informal dos bairros de classe média alta e alta da Recoleta, onde reside parte do establishment argentino)". Na elite argentina é freqüente a denominação despectiva de "negros" para os pobres do país, setor onde D'Elia possui influência. À tarde, diante do escândalo provocado por suas declarações, D'Elia tentou argumentar que havia sido mal compreendido, e que havia dito que a "p...oligarquia" pretendia "matar a todos nós". Na terça e na quarta-feira D'Elia comandou centenas de piqueteiros que avançaram para a Praça de Mayo, na frente do palácio presidencial, para dissolver o panelaço que integrantes da classe média portenha realizaram em ambas as noites. O próprio D'Elia agrediu fisicamente manifestantes que protestavam pacificamente. Os grupos piqueteiros são formados por desempregados que recebem ajuda social do governo e ativistas sociais.  D'Elía é o líder do movimento Federação de Terras e Moradia (FTV), e possui capacidade de mobilizar dezenas de milhares de piqueteiros com rapidez, para realizar piquetes nas principais avenidas da capital argentina e sua região metropolitana. Durante dois anos foi Secretário de Moradia do governo do ex-presidente Néstor Kirchner. O líder piqueteiro costuma afirmar que defenderia os Kirchners "à bala" para impedir o que chama de "tentativas de golpe de Estado do establishment". Marcha Enquanto que Cristina Kirchner teve sua demonstração de força ontem, com o ato de respaldo organizado por seu marido, junto com centenas de prefeitos e governadores, nesta sexta-feira, será a vez dos produtores, que estão organizando uma mega-marcha de protesto contra a presidente. O plano é levar milhares de pessoas desde as cidades agrícolas do interior em direção à Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, o palácio presidencial. As lideranças agrícolas pretendem conseguir um golpe de efeito com esta marcha, já que começam a surgir divisões internas no movimento. No total, ao longo desta semana, os produtores realizaram 300 piquetes diários em todo o país. Uma média de 1000 manifestações são realizadas por dia nas cidades do interior contra o governo de Cristina Kirchner.

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