Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

‘NÃO TRABALHO E ATÉ PARA A FAXINA ESTÁ DIFÍCIL’

Fabiana Cruz, de 35 anos, o marido e as filhas moravam na Pavuna, ao lado do rio. Em dezembro, perdeu roupas, móveis e documentos numa enchente. “A gente passava as noites de chuva tomando conta do rio. Várias vezes acordamos no meio da noite praticamente boiando em casa. Em dezembro, foi pior. Foi tudo embora”. A família passou meses “morando de favor”, em casa de parentes. As coisas mudaram quando foi sorteada. “Nem acreditei. Vim para cá sem nada.” 

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 19h00

A geladeira e o fogão são “de segunda mão”. Ela e o marido dormem em cima de papelão, coberto por lençol. As filhas Taynná, de 13 anos, e Ketlin, de 10, se acomodam sobre colchão inflável que furou. “Elas não estão estudando. Ketlin nem sabe como escreve o nome. Não tenho Bolsa Família, não estou trabalhando. Até para faxina está difícil”. O marido carrega e descarrega caminhão. Trabalha em Belford Roxo e sai de casa às 3h30. “Aqui não chove dentro de casa, mas é tudo muito difícil. Tem o condomínio, a conta de luz, o gás. Agora querem colocar hidrômetro nos apartamentos e portão elétrico. Essas coisas são muito caras”.

Já a esteticista Terezinha Cristina Mello, de 30 anos, diz não sofrer com a recessão. “A área de beleza não entra em crise.” Ela vende cosméticos, faz maquiagem, depilação e “design de sobrancelha”, e é manicure. Atende em domicílio no condomínio.

Terezinha, o marido e o filho de 3 anos moravam com os pais dela. Chegaram a sair de lá algumas vezes. “Pagávamos aluguel e quando as coisas apertavam, voltávamos. Foram 13 anos assim. Em maio, fui sorteada. Foi um alívio ter minha liberdade.” O marido é formado em marketing, mas trabalha com telecomunicações. “É um setor que sempre tem demissões, mas quem se qualifica tem emprego.” Ela não terminou de montar o apartamento. “Ganhei o quarto do meu filho e já tinha geladeira e fogão. Mas não vou fazer dívida. Quero poder dormir.”


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