Não vamos aceitar desvio de comércio, diz secretário argentino

Em passagem pela Fiesp, com 105 empresários, Guillermo Moreno fez questão de ressaltar boa relação com o Brasil

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h07

O secretário do Interior da Argentina, Guillermo Moreno, disse ontem que seu país não vai aceitar desvio de negócios. Ou seja, não permitirá que empresários argentinos deixem de comprar produtos brasileiros para comprar de terceiros países.

Ele fez a declaração após ter participado durante todo o dia da Rodada de Negócios Brasil-Argentina, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Moreno se esquivou de várias perguntas durante coletiva em São Paulo e, indagado, sobre o novo regime automotivo brasileiro, disse que quando os resultados forem publicados é que se saberá se foi bom ou ruim para a economia argentina.

Ríspido nas respostas aos jornalistas, Moreno se esquivou ao ser indagado se os empresários brasileiros encontrarão alguma limitação para vender seus produtos na Argentina. "Na reunião de hoje (ontem) decidimos que faremos uma missão conjunta à Nigéria em março para comercializarmos nossos produtos e decidimos que na última semana de novembro faremos um seminário em Buenos Aires sobre as características dos dois países", disse alegando que Brasil e Argentina vão sistematizar na prática o que já fazem na teoria para dar voz à América Latina. "Há muitas décadas que a América Latina não opina, não participa de debates econômicos mundiais. A América Latina não tem voz há décadas."

Sobre a queda de 18% das exportações brasileiras para a Argentina neste ano, o secretário argentino explicou que ocorreu porque de janeiro a agosto a produção de aço no mundo caiu e que na Argentina, maior comprador de carvão mineral do Brasil, a produção caiu 20%. Moreno liderou uma comitiva de 105 empresários argentinos de autopeças para negociar com outros cerca de 100 empresários brasileiros sobre o comércio entre os dois países.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, por sua vez, disse que o encontro foi bastante positivo.

Na segunda-feira, o presidente da UIA (a Fiesp argentina), Ignacio de Mendiguren, foi a Brasília para convidar a presidente Dilma a participar da Conferência Industrial Argentina nos dias 27 e 28 de novembro em Buenos Aires. O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, e o ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, se comprometeram a participar da conferência.

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