Não vamos interferir no nível do câmbio, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou hoje que o governo não vai intervir no nível de câmbio, por dois motivos: "porque não é uma boa política e porque nunca dá certo isso", disse ele. "O mais importante é que a gente acompanhe os indicadores da economia e veja que eles são favoráveis do ponto de vista das contas externas e continue atuando com os instrumentos que estão sendo efetivos para o crescimento do País", afirmou Palocci, ao deixar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), onde participou de solenidade.Segundo o ministro, as ações do BC, que desde segunda-feira tem comprado dólar no mercado, "não são intervenções, não têm a ver com o nível de câmbio, têm a ver com as reservas brasileiras". Palocci disse que as reservas atualmente são quase três vezes maiores que as de janeiro de 2003. Segundo ele, a recomposição das reservas é o objetivo da atuação do BC e do Tesouro Nacional no mercado de câmbio. "O acúmulo de reservas para o Brasil é necessário para ser o respaldo à estabilidade da nossa economia." O ministro disse que o governo tem uma política muito clara, do ponto de vista do câmbio, e considera que ela tem feito muito bem ao Brasil. "Não rediscutimos a nossa política cambial, que é de câmbio flutuante desde 1999, porque achamos que ela presta um bom serviço à economia brasileira".Palocci lembrou que as contas externas passaram de um déficit de 5% do PIB em transações correntes para um superávit de cerca de 2% do PIB. "É um ajuste de quase 7% do PIB, feito em função de um equilíbrio macroeconômico e de um câmbio flutuante. Então, nós não devemos interferir e tentar levar o câmbio a um valor que possa agradar a um ou outro setor."Palocci disse ainda que a valorização do real representa a melhoria da renda das famílias. "Nós não podemos lutar contra a renda das famílias. Precisamos favorecer esta evolução", afirmou. O ministro ainda destacou o comportamento das exportações, que, segundo ele, têm batido recordes nunca previstos. "Se observarmos o comportamento do processo exportador, vamos ver que está evoluindo bem. Não há uma evolução negativa nas exportações."

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