'Não vamos investir na Copa do Mundo'

José Efromovich, dono da Avianca e do Grupo

RENATO JAKITAS, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h11

Synergy, revela que cada ação da empresa precisa de muito planejamento

Existem no mundo dois tipos de empreendedores: os que se descobrem assim por força de uma ideia ou contingência do destino e os que persistem nesse ideal, às vezes, por toda a vida. José Efromovich pertence a segunda categoria. Nascido na Bolívia, mudou-se cedo para o Brasil, onde começou a empreender quando ainda estava na faculdade de engenharia. Anos depois, após sofrer um calote, encontrou no revés a oportunidade para fundar uma companhia aérea ao aceitar dois aviões de pequeno porte como forma do pagamento.

Dessa maneira, a Avianca transformou-se em um dos negócios administrados pela família Efromovich. E a companhia, que nasceu com o nome de Ocean Air no ano de 2002, hoje tem previsão de faturar R$ 840 milhões durante 2012.

Mas o início desse casamento com o setor de transporte aéreo foi permeado por muitas dificuldades. Essa experiência, aliás, foi um dos pontos centrais da reunião entre José Efromovich com pequenos e médios empresários realizada em junho pelo Estadão PME.

Aos empreendedores, Efromovich revelou que a Avianca não fará investimentos específicos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada. A principal preocupação, disse, é cair na tentação de investir por investir, sem planejamento. "Vejo que é perigoso." Confira os principais trechos do encontro.

Pés no chão

Questionado sobre o início improvável no ramo da aviação, já que é egresso de segmentos distintos, José Efromovich contou aos participantes detalhes sobre os erros que cometeu durante essa empreitada aérea.

"Ficou um ensinamento. Quando se cresce mais do que deveria, o empresário tem de estar preparado para dar um passo atrás. Fizemos isso em 2007, quando chegamos a ter 36 aviões, uma frota com seis modelos diferentes", analisou.

Para manter esse portfólio de aeronaves, na época a Avianca precisava contar com seis tipos de pilotos e diferentes equipes de manutenção. Era, portanto, um custo excessivo para o negócio, que ainda convivia com receitas apertadas.

"Entendemos que não conseguiria andar dessa maneira. Reduzimos o tamanho, ficamos com 14 aviões e tomamos a decisão de demitir 800 funcionários", lembra o empreendedor. Parte da equipe seria recontratada nos anos seguintes.

Copa 2014

Questionado sobre oportunidades de negócios que eventos como a Copa do Mundo podem proporcionar para a Avianca e para as pequenas e médias empresas brasileiras, Efromovich demonstrou cautela.

"Não vamos fazer investimentos específicos para a Copa e os Jogos Olímpicos. Vejo que é perigoso porque, quando acabar a competição, se não se fez um bom planejamento para dar continuidade a esses investimentos, eles não se sustentam."

Como atrair gigantes

José Efromovich e seu irmão German, sócio dele em todos os negócios, são também os fundadores do Grupo Synergy, que mantém empresas na área de energia. No segmento, os irmãos atendem grandes clientes como a Petrobrás.

Por isso, os participantes do encontro quiseram saber o que é necessário para atrair essas companhias para seus empreendimentos. "Tem que ser devagarzinho", recomendou o empresário. "Entramos nessas empresas por meio de terceiros. Por exemplo, a gente começou a vender serviços e produtos para aqueles que prestavam serviços de inspeção para a Petrobrás. Dessa maneira teve início o nosso relacionamento", concluiu.

Empreendedorismo

No final do encontro, duas perguntas provocaram uma longa reflexão do empresário. A primeira, sobre empreendedorismo: é algo nato ou passível de ser adquirido? Efromovich usou sua trajetória como exemplo. "Acho que faz parte do perfil da pessoa. Eu, pessoalmente, não tenho casa na praia porque trabalho no final de semana. Então, tem muita paixão e dedicação pelo que eu faço", analisou.

O empresário também foi questionado sobre como é possível para a pequena empresa encontrar e manter talentos em seu quadro de funcionários, já que concorre com grandes companhias do mercado.

"A maior dificuldade ou uma das grandes dificuldades é justamente lidar com as pessoas no cotidiano. Não conheço uma fórmula, mas não acredito na retenção apenas pelo salário oferecido. Nós optamos por investir em nosso pessoal, inclusive com viagens, trazendo-os para dentro da empresa", concluiu.

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