'Não vamos mexer uma vírgula no nosso plano de expansão'

Riachuelo deve abrirmais de 40 unidades em2015, para chegar aofim do ano que vem com mais de 300 lojas

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2014 | 02h01

Apesar de ter consciência que 2015 será um ano difícil, a Riachuelo - terceira maior rede de moda do País, atrás da C&A e da Renner - não pretende reduzir seu ritmo de expansão. Com mais de 40 inaugurações previstas, a empresa deverá chegar ao fim de 2015 com 300 lojas. "Apesar de o setor como um todo cair, vamos ganhar mercado", diz o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha.

Como a previsão de expansão do PIB influencia os projetos da Riachuelo?

Nossa visão é de longo prazo, embora reconheçamos que 2015, assim como 2014, será um ano difícil. Mas é nesse momento que o varejo de alta produtividade tem uma vantagem comparativa. Foi nos piores anos da crise europeia que redes como Zara, Topshop e H&M mais cresceram. Nosso plano de expansão não está arrefecendo. Apesar de o setor como um todo cair, vamos ganhar participação de mercado.

Quantas lojas serão abertas?

Em 2014, abrimos 45. Vamos manter a mesma média em 2015 e não vamos mexer uma vírgula nos planos porque queremos duplicar a rede em cinco anos. Agora temos 256 lojas. Vamos passar de 300 no ano que vem. Hoje, cidades de mais de 150 mil habitantes já comportam um shopping. Com o aumento do poder de compra, essa linha vai baixar. Nos EUA, uma comunidade de 17 mil habitantes tem renda para comportar um Walmart.

Há oportunidades em imóveis em tempos difíceis?

Exato. Nessa hora aparecem oportunidades imobiliárias fantásticas. É importante que você esteja a postos. Este modelo de fast fashion está gerando uma revolução imobiliária. Antes, os imóveis premium precisavam de uma agência bancária para remunerar o seu custo. Hoje os imóveis mais premium são fast fashion.

No terceiro trimestre, a Riachuelo teve queda de vendas nas lojas abertas há mais de um ano. Foi um reflexo da crise?

Dois fatores jogaram contra o varejo em 2014: a Copa do Mundo e as eleições. Além disso, tivemos muitas inaugurações com canibalização. No Norte e no Nordeste, o consumo está concentrado nas capitais. Tínhamos três lojas em Recife e em Fortaleza. Vamos ter 12 em cada uma ao fim de 2015. O mercado dá uma importância grande ao indicador de mesmas lojas. Mas nós queremos extrair o máximo do Recife, mesmo que isso tenha um custo em relação ao volume de cada loja. Se fosse regido pelas vendas nas mesmas lojas, ficaria com três lojas e estaria apresentando números exuberantes, de dois dígitos, mas perderia oportunidades.

Com o dólar mais alto, a Riachuelo vai reduzir as importações da China?

A produção própria já representou 90% da confecção da Riachuelo. Era até um pouco demais. Hoje, estamos em 40%. O câmbio dá esse equilíbrio. Hoje praticamente todas as peças básicas vêm da Ásia, mas um pouco pode voltar para cá. Nossa fábrica em Natal chegou a 19 mil funcionários. Hoje tem 12 mil. Temos flexibilidade. / FERNANDO SCHELLER

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