Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Não vamos sair comprando vacinas, mas poderemos agilizar', diz Luiza Trajano

Grupo 'Unidos pela Vacina', liderado pela presidente do conselho do Magazine Luiza, quer pavimentar caminho para que os brasileiros sejam imunizados até setembro; participam do movimento presidentes de empresas como Gol e Suzano

Fernanda Guimarães , O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2021 | 18h10
Atualizado 10 de fevereiro de 2021 | 01h36

Com a leitura do setor privado de que a vacinação no Brasil caminha em ritmo lento e com o consenso de que a imunização em larga escala é o único caminho a ser trilhado para garantir a recuperação da economia, um grupo de empresas, liderado por Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, lançou nesta terça-feira, 9, o “Unidos pela Vacina”. O objetivo é convocar a sociedade civil para participar do movimento pró-vacinação e pavimentar o caminho para que todos os brasileiros sejam imunizados, no máximo, até setembro. 

Em tempos em que a população brasileira está cada vez mais polarizada, Luiza frisou que o movimento não tem a intenção de discutir política ou buscar culpados – 230 mil brasileiros já morreram de covid-19. “Não vamos sair comprando vacinas. O governo não precisa de dinheiro para comprar vacina. Se a necessidade fosse dinheiro, seria mais fácil. Mas podemos agilizar, com influência de nossas empresas, e ajudar a chegar vacina”, disse Luiza, em coletiva de imprensa, acompanhada do sócio da EB Capital, Duda Sirotsky Melzer e da consultora Betania Tanure. “Estamos nos desafiando”, afirmou. 

A empresária disse que um dos esforços neste momento está no mapeamento de todas as unidades de saúde distribuídas no País, para que se possa entender os entraves. Essa “radiografia” dos municípios brasileiros, feita em parceria com o Instituto Locomotiva, estará pronta já no fim desta semana.

Segundo o Estadão apurou, o grupo também está tentando entender, com um levantamento que entrevistou 5 mil brasileiros, qual é afinal o tamanho do movimento antivacina no País. Os resultados ainda vão ser divulgados, mas os dados já mostrariam um porcentual de negacionismo relativamente baixo, ao redor de 15%.

A empresária contou que o grupo está trabalhando há cerca de um mês e já realizou, nesta semana, reunião com a fabricante russa de vacinas Sputinik. “O governo não está precisando de dinheiro para comprar a vacina, mas de formas de se conseguir trazer a vacina. O mundo inteiro quer a vacina. Nós temos empresas que estão na China, Índia, Estados Unidos e que estão querendo ajudar nessa solução”, afirmou. 

Grupos de trabalho

O movimento do Brasil já se organizou em grupos, cada um atacando uma frente. Um deles, que está endereçando a comunicação com o governo, é liderado pelo Marcelo Silva, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). “Os negócios só prosperarão se eliminarmos ou diminuirmos rapidamente os efeitos da covid-19”, disse. Outro objetivo é ampliar o nível de conscientização do brasileiro para a vacinação. Silva frisou que esse movimento não tem relação com o grupo anterior, que tinha como objetivo a compra direta de vacinas, em parte para imunizar seus funcionários, desrespeitando a “fila” dos grupos prioritários definidos pelo Ministério da saúde. “Não temos qualquer interesse comercial”, destacou. 

Outro grupo está direcionado à interlocução com os governos estaduais e, o terceiro, ao relacionamento com as prefeituras. As reuniões serão periódicas. Segundo a consultora Betania Tanure, o “Unidos pela Vacina” já tem um projeto piloto na cidade do Rio de Janeiro e em Nova Lima (MG), que servirão de “laboratório” para ações em outras partes do País. 

Haverá ainda subgrupos que analisarão os entraves na cadeia produtiva. O presidente da fabricante de celulose Suzano, Walter Schalka, será responsável pelo núcleo dedicado aos insumos e vacinas. O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, vai focar em logística e armazenamento. Cristina Riscala, do Grupo Mulheres do Brasil, vai liderar o time que monitorará a aplicação da vacinação. “Somos focados na solução, não queremos reclamar, buscar culpados, olhar para trás e sim olhar pra frente”, disse Betania. 

“Não iremos comprar vacina, mas, se for necessário, poderemos pensar em transporte, logística e marketing. Nosso grande ativo não é capacidade financeira, mas capacidade de mobilização”, afirmou Melzer, da EB Capital. A última reunião do movimento teve cerca de 400 participantes, entre empresários, profissionais liberais e entidades. /COLABOROU FERNANDO SCHELLER

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