Não vemos aposta agressiva sobre o câmbio, diz Meirelles

Presidente do BC diz que é necessário considerar até que ponto determinados movimentos são sustentáveis

Lucinda Pinto, da Agência Estado,

29 de setembro de 2009 | 10h35

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que vê, no mercado, uma avaliação mais cautelosa sobre o rumo do câmbio no Brasil. "Não vemos apostas agressivas de que o câmbio vai só para um lado", disse. Ele afirmou que o Brasil hoje pertence a um grupo diferente de países e que é preciso considerar a cotação do dólar frente a várias moedas e não só em relação ao real. "Vamos olhar isso com um pouco mais de equilíbrio. No câmbio não há movimentos unidirecionais e por isso é preciso considerar até que ponto determinados movimentos são sustentáveis", disse.

 

Meirelles afirmou que o Banco Central não faz projeções sobre o rumo do câmbio e que o próprio mercado errou muito em suas previsões sobre o comportamento da moeda norte-americana. Ele disse que a sua avaliação sobre o mercado cambial é sempre "pé no chão".

 

Crise

 

O presidente do BC reafirmou que o Brasil está saindo da crise sem desequilíbrios. O que proporcionou essa situação, segundo ele, foi o fato de o País entrar na crise em boas condições econômicas, com reservas elevadas e inflação sob controle, além da prontidão das medidas adotadas pelo governo. Meirelles citou a injeção de R$ 42 bilhões de recursos por meio de liberação de depósitos compulsórios para garantir liquidez a bancos pequenos e médios; o empréstimo de US$ 24,4 bilhões para bancos concederem linhas a empresas em momento de escassez de recursos externos; a venda de US$ 14,5 bilhões no mercado à vista e o uso de US$ 33 bilhões no mercado de derivativos cambiais.

Com as medidas, afirmou Meirelles, o BC garantiu a liquidez, mesmo que o mercado internacional ficasse paralisado até o final de 2009. O presidente do BC citou ainda a condição do sistema financeiro mais favorável do que a de outros países como fator que contribuiu para o enfrentamento da crise. Ele lembrou que, enquanto as regras de Basileia estabelecem que os bancos tenham um capital mínimo de 8% do ativo total, no Brasil a regra é de 11%. Ainda assim, as instituições financeiras do Brasil entraram na crise com colchão de 17% - que caiu, no pior momento, para 16%.

Meirelles lembrou ainda o fato de a inflação estar, no Brasil, condizente com a meta do início da crise. Segundo ele, o País será um dos poucos a cumprir a meta em 2008. O presidente do BC também fez questão de ressaltar que, segundo o relatório trimestral de inflação, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010 está em 4,4%, ligeiramente abaixo, portanto, da meta de 4,5%. "O Brasil sai crescendo (da crise) e com condições de crescer sem desequilíbrios", completou.

Compulsório

Meirelles afirmou que não há novas mudanças à vista para as regras dos depósitos compulsórios. Ele lembrou a empresários reunidos em evento promovido pelo grupo Lide, em São Paulo, que o BC alterou as regras para depósito compulsórios à prazo porque foi observado que os bancos estão com sua condição de captação normalizada. Ontem, o BC anunciou que só a compra de ativos de instituições financeiras com patrimônio de referência de até R$ 2,5 bilhões vai gerar abatimento do compulsório.

Antes, a compra poderia ser feita em instituições maiores, com patrimônio de referência de até R$ 7 bilhões. E para compensar essa medida, o BC reduziu a alíquota dos compulsórios a prazo de 15% para 13,5%. Além disso, o programa de compra de carteira com benefício no compulsório teve o prazo prorrogado de 30 de setembro de 2009 para 31 de março de 2010.

Assim, do ponto de vista da liquidez, as medidas são neutras. Segundo Meirelles, a medida direciona recursos para empresas de pequeno porte com patrimônio de referência de até R$ 2,5 bilhões. De acordo com Meirelles, o BC pode fazer alterações para cima ou para baixo nas regras de compulsório, mas observou que não há indicação no horizonte atual de que isso será necessário.

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