Não viaje mais a trabalho, use a telepresença

Imagine um sistema de comunicação audiovisual, futurista, altamente interativo, capaz de reunir pessoas em quatro cidades ou países diferentes, com imagens em alta definição em tamanho real, som digital e conexão feita a partir de um simples toque numa tecla num telefone com protocolo IP. Esse sistema nada tem de ficção nem de futurológico, mas já existe e começa a funcionar em diversos países, inclusive no Brasil, no que poderia ser chamado de evolução da videoconferência. Criado pela Cisco, o primeiro sistema comercial desse tipo tem o nome comercial de Telepresence.Em entrevista exclusiva a esta coluna, Carlos Dominguez, vice-presidente sênior da Cisco, afirma que o novo sistema de comunicação é resultado direto do avanço da tecnologia, das imagens digitais de alta definição, da disponibilidade de banda larga e do protocolo IP.Numa demonstração conduzida por Pedro Ripper, presidente da Cisco Brasil, nos escritórios da empresa em São Paulo, na quarta-feira, pude experimentar o sistema Telepresence, conversando online, sobre o seu potencial, com interlocutores na Cidade do México, em Londres e em Dusseldorf. É impressionante a sensação de realidade que nos transmite esse tipo de comunicação. Nele, uma das diferenças básicas é que nada é virtual, mas real, vivo e interativo. Depois de alguns minutos, não percebemos mais as telas do sistema nem as limitações de distância e do próprio ambiente. Parece que estamos numa reunião de verdade, entrevista coletiva ou mesa-redonda. MIL APLICAÇÕESUma das aplicações mais freqüentes da telepresença é a substituição da maioria das viagens de trabalho de longa distância, nacionais ou internacionais, feitas hoje por executivos para participar de reuniões.Em lugar da perda de dias inteiros em viagens de negócios, as reuniões poderão ser feitas com muito maior rapidez e freqüência, eliminando-se o desconforto dos aeroportos, os longos vôos internacionais e os custos elevados de hotéis.Empresas operadoras de telecomunicações brasileiras, como a Embratel, já adquiriram seus sistemas. Já as maiores empresas usuárias, globalizadas, com filiais em diversos países e dezenas de cidades, instalam sistemas de telepresença em suas dependências.Um caso concreto de aplicação do sistema de telepresença de âmbito internacional está sendo desenvolvido no Brasil e no mundo pela Dimension Data, empresa fornecedora de soluções para infra-estrutura de tecnologia da informação (TI), para interligação de 40 escritórios em 23 países, da Procter & Gamble, a corporação gigante de bens de consumo cujo faturamento anual é de US$ 76,5 bilhões.Além do uso corporativo, para substituir viagens de negócios, o sistema de telepresença começa a ser utilizado em diversas aplicações, como:1. Educação - As possibilidades da telepresença na área educacional parecem ser ilimitadas. No Estado americano do Colorado, o sistema está sendo usado para o treinamento à distância de professores, com excelentes resultados.2. Telemedicina - Entre as aplicações mais freqüentes da telepresença na área de saúde estão hoje diversos casos de telemedicina e de cirurgia remota, com auxílio da telerrobótica. Ou mesmo em exames clínicos à distância.3. Publicidade e vendas - Para demonstrar o potencial de viagens turísticas ou de imóveis, nada melhor do que mostrar imagens reais de locais, instalações ou produtos distantes.4. Entretenimento - Com essa tecnologia, podem ser mostrados também parques naturais, recifes de coral ou cavernas naturais a serem exploradas, seja no caso de um simples entretenimento ou de uma forma de turismo virtual online.HISTÓRIAA idéia de um sistema interativo com áudio e vídeo é antiga, mas sua realização tem enfrentado diversos problemas. Nos anos 1970 e começo dos 1980, tive oportunidade de assistir, no Japão, a algumas demonstrações de sistemas de videoconferência, oferecidos para serviços de conexão entre Tóquio, Saporo, Nagoya, Kyoto e Osaka, desenvolvidos pela NTT e pela NEC Corporation. Na época, muitas pessoas ainda se referiam, erroneamente, ao sistema como sendo de teleconferência - nome que designa, na verdade, uma multiconferência via telefone, apenas com áudio.Ao longo das décadas de 1980 e 1990, foram desenvolvidas várias opções de sistemas analógicos de videoconferência, na Europa e nos Estados Unidos, para comunicação audiovisual entre duas ou mais cidades. Mas, por seu custo operacional elevado e a pouca flexibilidade, não fizeram grande sucesso. Mesmo assim, ainda existem centenas de sistemas convencionais de videoconferência em operação no mundo.A evolução da tecnologia permite agora uma solução muito mais avançada, transformando-se no sistema de telepresença, que oferece imagens de TV de alta definição e que mostram as pessoas em tamanho natural e som digital direcional. Além da Cisco, diversas empresas desenvolvem projetos de sistemas de telepresença, entre as quais a HP, a Teliris, a Telanetix, a Tandberg e a Polycom.

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