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Nas agências bancárias, consórcio vira produto da moda

Produto tem taxas bem mais acessíveis, mas é um instrumento de poupança e não de financiamento, alertam os especialistas

Hugo Passarelli, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 07h00

A situação mais restritiva do crédito imobiliário também fez reaparecer um velho conhecido dos brasileiros: o consórcio. Nas agências bancárias, o produto está em alta e é apontado por gerentes como a melhor opção do momento. 

A reportagem do Estado visitou nove agências dos cinco principais bancos de varejo: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco. Em comum, todos lembraram o cenário mais difícil para a concessão de crédito imobiliário, mas não pouparam elogios e explicações quando o assunto chegava no consórcio. 

Neste tipo de produto, compradores se unem para formar uma poupança comum para a aquisição do bem. Cada participante faz um pagamento mensal com o objetivo de ter acesso a esse dinheiro. 

Há três maneiras de obter o valor integral da carta de crédito contratada: quando todas as parcelas forem pagas, por sorteio ou lance. "O consórcio nada mais é que uma forma de poupança com objetivo definido", diz Paulo Rossi, presidente da Associação Brasileira de Administradores de Consórcio (Abac). 

O prazo é longo e pode chegar a 200 meses, ou pouco mais de 16 anos. "Pode ser que o consumidor seja sorteado logo no começo. Mas, se isso não acontecer, o dinheiro renderia mais em uma aplicação financeira, como Tesouro e LCI", afirma o professor Nelson de Sousa, do Ibmec/RJ.

Raul Moreira, vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco do Brasil, reforça que consórcio e financiamento são produtos bem diferentes. "Consórcio é um produto de poupança, de planejamento de reservas para adquirir um bem. E lá dentro está embutido um conceito de sorteio, de poder antecipar o sonho com algumas negociações e entradas", explica. O saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo, também pode ser usado para dar lances.

No período de boom dos preços, era comum que a carta de consórcio não cobrisse o valor integral do imóvel, mas isso vem mudando. "O consumidor adquiria o consórcio para um valor, mas, quando era contemplado, o preço já havia subido. A estabilidade recente pode explicar o atual apelo do consórcio", diz.

Nos quatro primeiros meses do ano, a venda de novas cotas cresceu quase 20%, segundo a Abac. A vantagem está no custo. As taxas são mais atrativas do que a do financiamento. Segundo a Abac, a taxa de administração média é de 17,5% para todo o período, contra 9,5% ao ano (média entre recursos livres e direcionados) do crédito imobiliário.

"Nós temos um problema crônico no Brasil, que é falta de educação financeira. Então o consórcio faz com que as pessoas planejem a aquisição. Se ela não tem necessidade de comprar o imóvel hoje, é a melhor alternativa", diz Octavio de Lazari Júnior, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). 


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