Fernando Scheller/Estadão
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Nas ruas de Atenas, cidadãos esperam solução para calote

População se divide entre 'sim' e 'não' para votação no referendo de domingo; Grécia confirma calote, mas haverá nova tentativa de acordo na quarta-feira

Fernando Scheller, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 14h01

Atualizado às 16h30

ATENAS - Nas ruas de Atenas, cidadãos acompanham as notícias sobre as negociações entre Grécia e Eurogrupo minuto a minuto. O calote foi confirmado, mas haverá nova tentativa de acordo na quarta-feira. Entre o povo, a esperança de que uma solução seja encontrada. "Eu não desgrudo os olhos da televisão", diz o joalheiro Theodore Vlaras, dono de uma franquia da rede Pandora. "Se algo acontecer, quem sabe assim não seja necessário o referendo (de domingo)." 

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, decidiu jogar a decisão sobre a relação com a União Europeia para as mãos da população, convocando um referendo para o próximo domingo - na prática, "sim" significa a permanência da Grécia na UE e "não" a saída. O joalheiro Vlaras diz que, caso a votação seja necessária, vai votar pelo "sim". Mas ele diz que compreende quem é contra. "As pessoas não são contra o euro e a permanência na União Europeia, mas às condições impostas à Grécia."

Entre os que pretendem votar "não" predomina o desânimo com a economia, que enfrenta uma forte crise que já dura cinco anos. "Tudo estava indo bem até cinco anos atrás", afirma Maria Mougogianni, dona de uma loja de vestidos em uma área turística da cidade. "Agora, as vendas, que já estavam ruins, pioraram ainda mais." A loja da família de Maria foi aberta há 30 anos por sua mãe, Theodora, que ainda ajuda a tocar o negócio. "Eu não quero a volta do dracma (antiga moeda grega), mas também não quero fazer o que a Alemanha quer."

'Sim'. O movimento para mais um protesto popular já começou nesta terça-feira, em frente ao parlamento grego. Barracas vendem água, refrigerante e cerveja e ambulantes oferecem apitos a € 1 e bandeiras da Grécia, dependendo do tamanho, a € 2 ou € 5. Os vendedores, no fim da tarde, tentavam agradar a dois públicos: os manifestantes que começavam a chegar de metrô e os turistas que ainda circulavam por ali. Neste segundo caso, gritavam "suvenir" em direção aos estrangeiros munidos de máquinas fotográficas.

Nesta noite, a manifestação no centro da capital grega é para o "sim" - aos que são favoráveis às medidas de austeridade impostas pela UE e pelo FMI. Na segunda-feira, uma multidão de dezenas de milhares de pessoas, formada majoritariamente por militantes de esquerda e estudantes universitários, se aglomerou em frente ao parlamento para argumentar pelo "não" à manutenção da relação atual com a UE. 

"Não podemos mais viver com medo", diz a professora Eleni Vlachou, 27 anos. "Nos últimos cinco anos, a Grécia tem vivido pensando: eles vão nos dar dinheiro ou não?" Na narrativa da crise grega, há um clara vilã: a Alemanha, o país mais influente (e rico) do continente. O que a Alemanha nos manda fazer deixa tudo mais caro. Não tem emprego. Do jeito que as coisas estão, eu prefiro o plano B, vai ser melhor para a Grécia. Eu digo isso porque quero ficar aqui", disse a estudante Valeria Roumpou, 20 anos.

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