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Nas urnas, suíços rejeitam salário a todos os seus cidadãos

Proposta era que população tivesse um salário fixo

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2016 | 08h50

O que ocorreria se um país ganhasse o direito e as condições financeiras de propor que cada um de seus cidadãos recebesse 2,5 mil dolares por mês, independente de seu nível social e até o último de seus dias? Na Suíça, a população foi chamada a decidir se aceitaria tal proposta e, nas urnas, o resultado foi claro : não. 

Os autores da proposta, porém, não se deram por vencidos e apontaram que a votação serviu para "conscietizar as pessos de que um novo contrato social é necesários". Num referendo realizado neste domingo, a população rejeitou a ideia de uma renda incondicional para todos os cidadãos, de seu nascimento até a morte e independente da situação social.

As primeiras projeções apontam que 78% dos eleitores se disseram contrários à ideia de dar um salários a todos. Em algumas cidades, como Lausanne, os resultados parciais apontam para 80% de rejeição. 

Mas, numa avaliação geracional, o maior apoio veio dos mais jovens, com quase 40% desse grupo apoiando a ideia. Para os autores do projeto, isso abre esperanças de que um dia a Suíça terá um salário para todos. 

Pensada originalmente em 1516 pelo britânico Thomas More, essa foi a primeira vez que o que era apresentado como uma utopia ganhava a chance de se tornar uma realidade para todo um país. Ironicamente, seria justamente num dos países mais ricos do mundo, com um índice de desemprego de menos de 4% e com as menores taxas de criminalidade do mundo.

Os proponentes da ideia apontavam que esse salário seria a maneira de garantir "uma existência digna e a participação na vida pública", seja qual for a circunstância. Para a entidade Bien (sigla em inglês para Basic Income Earth Network), a proposta poderia erradicar a pobreza e acabar com a dependência em sistemas de ajuda social.

A tese é de que, sabendo que contam com uma renda básica, as pessoas teriam a liberdade de escolher suas profissões, agir de forma voluntária para causas sociais, passar por períodos de treinamento e mesmo se concentrar em suas famílias. O argumento aponta até mesmo para o fato de que a produtividade de uma economia poderia aumentar, com as pessoas livres para serem criativas, testar ideias e projetos.

Aqueles que defendiam a ideia trabalhavam com uma projeção de que ela seria estabelecida em cerca de 2,5 mil francos suíços por mês para cada adulto. Menores de 18 anos ganhariam 625 francos (ou R$ 2.244).

Mas a ideia contou com uma forte oposição do governo e de praticamente todos os partidos do país, alegando que os cofres públicos não teriam como pagar uma conta de US$ 208 bilhões por ano. 

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