Nasce em Uberaba o "Google" caipira

Vem do interior de Minas a resposta brasileira ao Google. O site de busca Katatudo, lançado no começo do ano, foi todo desenvolvido em software livre - que pode ser usado e modificado gratuitamente, como o sistema operacional Linux - e planeja abrir seu próprio código-fonte até outubro. "Estamos recebendo apoio da comunidade de software livre", afirma Leonardo Cardoso, de 27 anos, diretor de Tecnologia da Informação do Katatudo. A idéia da empresa é vender consultoria e tutoriais para quem quiser usar seu mecanismo de busca, gratuito, em seu site ou intranet, rede interna que usa a mesma tecnologia da internet.Apesar de ter planos ambiciosos, o Katatudo, uma espécie de "Google caipira", ainda é pequeno mesmo na internet brasileira. O site não aparece no ranking do Ibope eRatings, o que quer dizer que possui menos de 120 mil usuários únicos por mês, segundo a empresa de pesquisas. O líder da lista dos serviços de busca mais visitados no Brasil é o americano Google, que prepara a abertura de capital em Wall Street. Em segundo lugar vem o Yahoo!, que controla o Cadê, o site de busca mais popular entre os criados no Brasil."O Cadê responde por 75% de nossas buscas", conta o diretor-executivo de Serviços de Busca na América Latina do Yahoo!, Carlos Augusto Araújo. Em março, foi lançada uma nova versão do site, que usa a tecnologia de busca internacional da empresa configurada de acordo com os interesses do usuário brasileiro. "A busca tem que ter um certo sotaque local", explica Araújo. Ele dá um exemplo: a palavra "vestibular", em inglês, tem outro significado. Num site de busca internacional, o internauta acaba recebendo várias indicações de páginas sobre "vestibular disorder", uma doença do ouvido. No Cadê (ou no Yahoo! Brasil, que usa a mesma base de dados), isto não acontece, pois o conteúdo brasileiro tem prioridade.Num cenário dominado por empresas globais, como o Google e o Yahoo!, o Katatudo, de Uberaba, traça uma estratégia de universalização. A empresa criou uma versão em inglês. "Até julho, vamos lançar mais quatro versões: em italiano, espanhol, russo e japonês", afirma Cardoso, do Katatudo.Dez pessoas trabalham no site de busca mineiro, fundado por Cardoso e outros dois brasileiros. Parte do dinheiro usado vem dos serviços prestados pela empresa Minas Agência Digital, dos mesmos sócios. Eles criam e hospedam sites, entre outras atividades. Para se tornar conhecido, o Katatudo lançou um serviço de e-mail grátis, com capacidade ilimitada de armazenamento para usuários brasileiros.

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