Natal: 25 mil novos empregos na capital

Mesmo em tempos de crise, tradicionalmente, o Natal é o melhor período de vendas para os lojistas, sejam eles de shoppings centers, de ruas ou calçadões. Essa tradição ajuda muita gente que está desempregada ou precisa de rendimentos extras ao final do ano. Na capital paulista, cerca de 400 mil pessoas trabalham hoje formalmente no comércio (por volta de 95 mil pessoas nos centros de compras e 305 mil nas lojas fora de shoppings). Essa mão-de-obra deve aumentar em cerca de 6% com os funcionários extras, ou seja, algo em torno de 25 mil pessoas terão oportunidades de trabalho no Natal.Nas lojas localizadas fora de shoppings centers, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) prevê um aumento no número de postos de trabalho de 5% a 6% nos próximos 45 dias. "Esse número é de contratos temporários. O número de pessoas que entram no chamado comércio de oportunidade (ambulantes) é bem maior, mas é impossível de calcular", afirma Alencar Burti, presidente da ACSP. A previsão da Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings (Alshop) é de que, no mínimo, 33 mil pessoas trabalhem como funcionários temporários nas lojas dos 506 shoppings em atividade no País. Desses, por volta de 15 mil trabalharão nos 171 shoppings do Estado e 7,2 mil nos 78 centros de compra da Grande São Paulo (cerca de 13% a mais). Além de "salvar" o fim de ano de muitas famílias, os empregos temporários podem resultar em trabalho fixo para o próximo ano. "Em média, 25% dos temporários acabam sendo contratados pelas lojas", afirma Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. Segundo ele, as contratações podem ser para substituir um funcionário ou para preencher uma vaga nova. "Basta o temporário mostrar que sabe vender bem que, provavelmente, será contratado", diz.Eduardo Pedro, proprietário da rede de lojas Brinquedos Laura, com seis unidades na capital, acredita que os funcionários extras têm condições de ficar nas lojas ao fim do contrato por tempo determinado. "Funcionário bom ninguém manda embora, é ele quem gera o lucro da loja", explica. A Brinquedos Laura está contratando cerca de seis funcionários por loja, ou seja, por volta de 36 no total. Um deles é Wilson Roberto Encontrão Júnior, de 20 anos. Desempregado há um ano e quatro meses, Wilson está há uma semana em treinamento na loja do Shopping Center Norte (zona Norte). "Vou ficar mais duas semanas em treinamento para começar a trabalhar efetivamente. É preciso conhecer todos os brinquedos antes de vender", afirma. O futuro vendedor tem confiança de que vai se sair bem e que vai conquistar uma vaga permanente. "Só depende de mim, do meu esforço", ensina. Solteiro, Wilson quer conquistar o emprego fixo para poder completar o ensino médio e começar a faculdade de análise de sistemas.Heide Maria Macedo de Oliveira, também de 20 anos, conseguiu uma vaga de extra na Colucci Bambini, loja de roupas infantis no Center Norte. Heide estava desempregada há três meses e ficou sabendo da vaga por intermédio da irmã, que conhecia a gerente da loja. "Comecei sábado passado. Já estou me adaptando e acho que estou indo bem", confidencia. Ela conta que sua primeira venda foi de um vestido de festa. "Quero vender bastante para ser contratada depois do Natal", afirma.Porém, como esses empregos temporários são, para muitos, a salvação para um ano de crise e desemprego, a disputa por um deles é acirrada. Não é fácil conseguir uma "vaguinha" de vendedor. "Nós recebemos de 10 a 15 currículos por dia, mesmo sendo uma loja pequena", revela Laudisséia de Lima, gerente da Blanc Brinquedos, no Shopping Plaza Sul (zona Sul). Conforme diz a gerente, a maior parte dos currículos é de jovens estudantes, que querem ganhar um dinheiro extra para desfrutar as férias escolares em viagens à praia. "Não são todos que têm disposição de ficar 12 horas, 14 horas de pé por dia para conseguir um emprego a partir de janeiro", conta.A maioria das lojas que contará com funcionários extras no fim de ano ainda está aceitando currículos de interessados. Para entregá-los, basta procurar a administração dos shoppings ou ir diretamente nas lojas, que geralmente colocam cartazes de admissão nas vitrines.

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