Natal combina com poupança

Crianças podem aprender com investimento

O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2007 | 00h00

Investir na sensibilidade musical de suas duas filhas pareceu, para o empresário e publicitário Alexandre Gama, presidente da agência NeogamaBBH, a melhor forma de gastar R$ 500 como presente de Natal. "Poderia dizer que, para ensiná-las a lidar com dinheiro, daria R$ 500 em dez prestações, de forma a elas valorizarem o presente", diz ele. "Mas preferi atender a um pedido delas, que gostam de música." A filha mais velha, Luiza, de 6 anos, ganhou um violoncelo fabricado na China e apropriado para a iniciação no instrumento. A mais nova, Stella, de 4 anos, foi brindada com um xilofone, que, como conta Gama, "tem som de estrelas". Coisa que a pequena adora. A idéia de monetizar o universo infantil, de forma a dar às crianças uma introdução sobre como lidar com dinheiro e assim fazê-las compreender melhor o mundo em que vivem, é recorrente nesta época do ano. Pais, tios e padrinhos, entre outros, costumam dar dinheiro ou abrir uma poupança para seus pimpolhos como presente de Natal. Para especialistas, pode ser uma boa opção, se o dinheiro for utilizado para iniciar a educação financeira da criança - simplesmente entregá-lo pode fazer com que evapore em minutos. O Estado perguntou a executivos e empresários: "Se fosse dar R$ 500 ao seu filho no Natal, de que forma faria isso?" Nas respostas, há desde análises complexas, sobre futuros investimentos a partir dos R$ 500 iniciais, até respostas românticas, como o investimento em talento musical. Fernando Caio, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) aposta na mais tradicional das aplicações, a poupança. "Colocaria o dinheiro numa caderneta, mas em parcelas de R$ 50 ao mês, do Natal até o Dia da Criança de 2008", explica. "Assim, a criança aprenderia que pode usar ou guardar para ter mais no mês seguinte. É um instrumento básico de educação financeira, que pode originar um adulto menos propenso a dívidas no futuro."Marcos Crivelaro, professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) e consultor de finanças pessoais, apostaria em ações. "Daria em ações da Petrobrás, da Cesp, de bancos e de alguma rede de varejo", diz. "Se for uma criança muito nova, acho que talvez o pai não deva comentar e administrar o valor sozinho. Mas, se for maior, a partir de 12 anos, vale a pena mostrar pela internet como acompanhar os números, de forma que parecesse um jogo." Os mais prevenidos em relação ao futuro podem ensinar a criança a valorizar os estudos, ensinando-a a investir em previdência privada. Dessa forma, desde a primeira infância, ela poderia começar a entender a mecânica de um plano que começasse com depósitos anuais de R$ 500 até chegar à faculdade. O ponto essencial aqui, como lembram alguns, seria administrar a frustração pela falta de uma diversão, à qual sempre está associada o ato de presentear. Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Banco Real, também optaria por aplicar o dinheiro em poupança, mas sugere que a família dê algum brinquedo para evitar que a criança fique chateada. "A caderneta de poupança pode ficar no nome da criança, de forma que ela perceba que, juntando a esse presente (os R$ 500) valores mais compreensíveis para ela - como uma mesada de R$ 10 ou R$ 20 aplicada todo mês na mesma caderneta -, ela poderá um dia ter o suficiente para comprar uma bicicleta ou videogame."

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