Natal de 2005 deve ter pior faturamento desde 94, prevê Fecomercio-SP

O Natal deste ano deve ser o pior em faturamento para o comércio desde o início do Plano Real. A previsão foi feita pelos representantes da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), que realiza a pesquisa mensalmente desde 1994. A estimativa do economista Antonio Carlos Borges é de que o setor fature 12% a menos em dezembro em relação ao mesmo mês do ano passado. "Será um Natal bem mais fraco que o de 2004", afirmou Borges, sem divulgar os números absolutos.De acordo com ele, o segmento que deverá ser o mais prejudicado é o do vestuário, com queda de 4% no faturamento no último mês do ano ante dezembro de 2004. Borges salientou que o mês representa 33,1% das vendas anuais e que o segmento de vestuário costuma vender o dobro nesta época do ano em relação aos demais meses. O economista destacou ainda que estas projeções podem ser piores, caso não haja a manutenção da impermeabilidade entre os fatores políticos e as gestões econômicas."Fazemos essa projeção já contando com a queda dos juros até o final do ano, com a recuperação da renda com os dissídios coletivos do segundo semestre e com o pagamento do 13º salário", acrescentou o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajam.A Fecomercio-SP estima que o gasto médio do consumidor com o presente de Natal será de R$ 40, ante os R$ 50,70 registrados no ano passado. "Precisamos lembrar que apesar desta queda, o real hoje está mais valorizado do que em dezembro do ano passado", considerou Szajam. Sazonalmente, o comércio fatura mais (60%) na segunda metade do ano do que na primeira.ContrataçõesApesar da expectativa de vendas menores, o comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo deve contratar, em dezembro, aproximadamente 40 mil trabalhadores em postos temporários, em função das vendas de Natal. A estimativa feita pela Fecomercio-SP está muita próxima do número de pessoas contratadas no mesmo período do ano passado."Apesar desta queda, isso não quer dizer que o comércio vá deixar de vender", justificou Szajman, acrescentando que esta criação de vagas é necessária porque o comércio trabalha com um quadro de funcionários muito enxuto.Faturamento no 1º semestreDe acordo com a Fecomercio-SP, o faturamento real do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo subiu 7,5% no primeiro semestre em relação aos primeiros seis meses do ano passado. No ano passado, os primeiros seis meses do ano haviam registrado um aumento de 6,34% na comparação com o mesmo período de 2003. Entre os segmentos que mais contribuíram para este aumento, estão as concessionárias de veículos (36,4%), as lojas de vestuário, tecidos e calçados (20,7%) e as lojas de eletrodomésticos (14,1%). Contribuíram negativamente para o resultado o segmento de supermercados, com queda de 7%, e das lojas de material de construção (-0,20%).

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