Natal dos notebooks atrai fabricação local

Mercado de computadores portáteis deve crescer 270% este ano, o que fez com que a Sony decidisse montar dois modelos no País

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2007 | 00h00

A forte expansão do mercado brasileiro de computadores tem atraído a atenção de grandes jogadores internacionais. A Sony anuncia hoje a produção no Brasil de dois modelos de notebooks, por meio de um contrato de terceirização com a Foxconn, em Jundiaí (SP). Em setembro, a HP aumentou em 50% sua capacidade de produção no País, também em parceria com a Foxconn. Já a Dell inaugurou uma fábrica em Hortolândia (SP) em maio e planeja ampliar os investimentos no ano que vem."Esperamos um crescimento grande no Brasil, principalmente para notebooks", afirmou Bob Ishida, presidente mundial da Vaio, marca de notebooks da Sony. "Quando estive pela primeira vez no Brasil, em 2003, o mercado ainda era dominado pelos desktops." Segundo a consultoria IT Data, as vendas de computadores portáteis devem subir 270% este ano, chegando a 810 mil unidades.Existem vários fatores que têm incentivado, nos últimos anos, o crescimento do mercado brasileiro de computadores. A Lei do Bem isentou os PCs de até R$ 4 mil do recolhimento do PIS e da Cofins. A valorização do real frente ao dólar tornou as máquinas mais acessíveis e o varejo ampliou o financiamento para os computadores. As ações contra o contrabando se tornaram mais eficientes e o aumento de escala ajudou a baixar os preços. Este ano devem ser vendidos 10,1 milhões de microcomputadores, incluindo máquinas portáteis e de mesa, um avanço de 23% sobre 2006.Os varejistas esperam que o notebook seja o grande destaque deste Natal. "O crescimento no Brasil tem sido liderado pelo consumidor doméstico", afirmou Ishida. O executivo não quis revelar números, mas disse que apesar de o Brasil ainda ter uma participação pequena no faturamento da divisão Vaio, é um dos lugares onde existe um dos maiores potenciais de expansão. "O mercado japonês já deixou de crescer. Hoje, as principais áreas de crescimento são os países Bric: Brasil, Rússia, Índia e China." Atualmente, a Sony tem fábricas próprias de notebooks no Japão e em San Diego, nos Estados Unidos, responsáveis pelos modelos mais sofisticados. A empresa também tem contratos de terceirização com fabricantes na China. O Brasil é o primeiro país a ter produção terceirizada de notebooks da Sony fora da Ásia.O foco da Sony não está nos computadores portáteis mais baratos. Os dois modelos fabricados no Brasil têm tecnologia "Full HD". Ou seja, conseguem mostrar vídeos de alta definição, como a TV digital aberta que vai estrear no domingo. "Em outros mercados, temos notebooks que recebem o sinal de TV aberta, mas não temos planos nesse sentido para o Brasil", disse Ishida.Nos sistemas de alta definição, como os notebooks novos, as imagens são formadas por 1.080 linhas de definição. Na televisão comum, são 480 linhas. Os computadores da Sony fabricados no Brasil têm uma conexão de vídeo e áudio digitais no formato HDMI, que também é usado em conversores (set-top boxes), televisores e câmeras de alta definição.Um dos modelos fabricados no Brasil, que custa R$ 5 mil, chega às lojas na próxima semana. O outro, que sai por R$ 9 mil, começará a ser vendido em fevereiro de 2008 e terá um leitor de Blu-ray, DVD de nova geração, com imagens em alta definição. A empresa está interessada em fechar acordos com operadoras de telefonia celular para colocar no mercado máquinas com planos de acesso sem fio à internet.

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