Natal mais barato do Brasil atrai 30 milhões de consumidores

Cerca de 3,8 mil lojas da Rua 25 de Março recebem quase um milhão de compradores por dia que gastam em média R$ 200,00 em compras nesta época do ano

Felipe Cordeiro, do Estadão,

26 de novembro de 2013 | 16h54

SÃO PAULO - Em suas calçadas repletas de camelôs e nas galerias e lojas com corredores apertados e abafados, a rua de comércio popular mais famosa do Brasil, a 25 de Março, no centro de São Paulo, prepara-se para receber cerca de 30 milhões de consumidores nos 30 dias que antecedem o Natal.

O número de visitantes que percorre a região a cada dia varia de 800 mil a 1 milhão, segundo a União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco). Fora da época natalina, o número cai para 400 mil ao dia.

O que para alguns pode parecer uma sucursal do inferno, é para a maioria dos visitantes, que gastam, em média, R$ 200, uma oportunidade de fazer compras a preços mais baixos. O grande diferencial da 25 de Março e de seus 3800 estabelecimentos comerciais é oferecer ao público o Natal mais barato do Brasil. 

Revenda. Além dos presentes de Natal, outro motivo que leva milhares de pessoas à 25 de Março é a compra em atacado para revenda em outras partes do País, como fazem as estudantes de moda Aline Salvi e Juliane Takahashi, proprietárias de lojas virtuais.

"Aqui, os tecidos são bem mais baratos. Nós compramos para revender no nosso site", declara Juliane, que considera a rua a "cara de São Paulo".

Já para Aline, todo turista que visita a cidade deveria conhecer a 25 de Março. "Tem que sentir o sol forte, ver as pessoas andando e comprar muita coisa, porque é barato", diz.

"O que me atrai aqui são os preços, que realmente valem a pena", afirma a dona de casa Angela Ribeiro. Com muitas sacolas, Angela carrega enfeites de Natal comprados nos Armarinhos Fernando, rede varejista e atacadista que possui cinco unidades na região.

A matriz, localizada em um antigo edifício que ocupa os números 864 e 872 da rua, é a maior loja da 25 de Março, por onde circulam 6 mil pessoas diariamente - em dezembro, o fluxo chega a 8 mil.

Vendas. Os Armarinhos Fernando não divulgam o faturamento, mas a matriz espera que as vendas de fim de ano aumentem 10% em relação ao mesmo período de 2012.

O gerente geral da loja, Ondamar Ferreira, garante que o quadro de 400 funcionários é suficiente para atender à demanda natalina. "Neste ano, a contratação de trabalhadores temporários está devagar, pois no ano passado muitos foram efetivados", diz.

"Estamos chamando apenas oito, para trabalhar no período noturno na função de arrumar a loja."

O otimismo para o Natal deste ano é compartilhado pela loja de brinquedos Semaan, que tem duas unidades na região da 25 de Março - uma delas na Rua Barão de Duprat, que funciona desde 1961.

"O público nesta época do ano é cinco ou seis vezes maior do que o normal", comenta o diretor comercial da Semaan, Marcelo Mouawad.

O executivo explica que a loja não costuma contratar trabalhadores temporários, mas sob regime comum. "A estimativa é de que o número de funcionários cresça 20%. O pico das contratações ocorre em setembro e, em janeiro ou fevereiro, fazemos um balanço se eles continuam ou não."

Bonecas Monster High.

A grande aposta dos lojistas para este Natal são as bonecas Monster High, que podem ser encontradas logo na entrada da matriz dos Armarinhos Fernando.

Do mesmo modo, na Semaan da Rua Cavalheiro Basílio Jafet, um caminhão esperava para descarregar um lote de caixas do produto. "As meninas pedem muito porque tem comercial na televisão", diz Ondamar Ferreira, dos Armarinhos Fernando.

Fabricadas pela Mattel - a mesma empresa que produz a Barbie, símbolo da perfeição e dos padrões de beleza -, as bonecas são monstrengas adolescentes de cabelos e roupas espalhafatosas.

No Brasil, elas se tornaram o sonho de consumo das garotas desde que o SBT, em 2010, passou a exibir o desenho no qual as personagens são filhas de famosos monstros, como Conde Drácula, Frankstein e Lobisomem.

No entanto, mesmo na 25 de Março, as bonecas Monster High têm preços salgados, que variam de R$ 149,99 a R$ 349,99 a unidade, conforme os acessórios que as acompanham.

História. Com o nome "Rua de Baixo", a Rua 25 de Março surgiu em 1850 como parte de um projeto de drenagem da várzea do Rio Tamanduateí, retificado dois anos antes.

Em 1865, o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra propôs a mudança do nome a fim de homenagear a primeira constituição brasileira, outorgada por Dom Pedro I em 25 de março de 1824.

Mesmo antes de existir, a 25 de Março já tinha vocação comercial. "A região sempre foi um importante local de recebimento de mercadorias.

Desde os tempos dos índios, os comerciantes desembarcavam na Ladeira Porto Geral", lembra o economista e professor universitário Lineu Francisco de Oliveira, autor de Mascates e Sacoleiros (Scortecci Editora, 158 páginas), livro sobre a 25 de Março.

Porém, Oliveira destaca que a consolidação da região como o principal polo de comércio do País ocorreu na passagem do século 19 para o 20. "Em 1893, havia na 25 de Março cinco armarinhos e uma mercearia; menos de dez anos depois, em 1901, já eram mais de 500 estabelecimentos comerciais, sendo 90% deles de sírios e libaneses", diz.

Por sinal, a presença de estrangeiros na região, especialmente de árabes, foi fundamental para o desenvolvimento do comércio. "Esses imigrantes não tiveram espaço na agricultura. Então, restou-lhes comprar mercadoria para revender, basicamente uma atividade para sobrevivência. E esse é o foco da região até hoje, como pode ser observado pelos camelôs", declara Oliveira.

Bloqueio da via. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) implantou a Operação Natal na Rua 25 de Março para facilitar o fluxo dos visitantes durante as compras de final de ano. Desde 7 de novembro, a via está bloqueada para veículos no trecho entre a Ladeira Porto Geral e a Rua Carlos de Souza Nazaré, de segunda-feira a sábado, das 10h às 18h, e domingo, das 9h às 15h.

A interdição dura até 24 de dezembro. A CET recomenda o uso do transporte coletivo. A estação do Metrô mais próxima à 25 Março é a São Bento (Linha 1-Azul), com acesso na Ladeira Porto Geral.

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