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Participação dos empréstimos no Produto Interno Bruto já chega a 36%

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

A corrida desenfreada do consumidor por empréstimos e financiamentos vai elevar a participação do crédito para 36% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, prevê a Associação Brasileira de Bancos (ABBC).Trata-se do maior número desde 1994, quando esse porcentual estava em 36,4% do PIB. Depois disso, o indicador seguiu tendência declinante e atingiu a mínima de 23,8% em 2002. De lá para cá, a curva é ascendente, afirma o vice-presidente da entidade, Renato Oliva.Segundo ele, o País vive hoje um ambiente propício para a expansão do crédito. Entre janeiro e julho, o crescimento do volume de crédito para pessoa física (com recursos livres) foi de 28% em relação a igual período de 2006. Como tradicionalmente a demanda no último trimestre do ano é mais forte, a expectativa do mercado é de que a concessão de crédito termine 2007 com expansão em torno de 30% em relação a 2006, puxada especialmente pela demanda de consumidores pessoas físicas.A expectativa é de que os empréstimos e financiamentos concedidos (com recursos livres) entre outubro e dezembro somem R$ 35 bilhões, valor 30% superior ao de igual período de 2006, calcula a Austin Rating. Todo esse dinheiro vai irrigar a economia brasileira, aumentar o consumo e contribuir para a expansão do PIB, que deve crescer acima de 5% este ano, afirma o presidente da consultoria, Erivelto Rodrigues. ''''Estamos vivendo um momento de aceleração do crédito em padrões inéditos no País.''''Essa busca incessante do consumidor por crédito é uma reação à melhora das condições econômicas do País, com aumento da renda e queda da taxa de juros (ainda em níveis bastante elevados). Além disso, novas modalidades de financiamento, com garantias físicas, permitiram reduzir a taxa de juros para níveis menores que a média do mercado, como é o caso do crédito com desconto em folha de pagamento.A junção desses fatores vai resultar num dos melhores finais de ano para o mercado nacional. ''''A expectativa é de que o consumidor vá às compras e financie boa parte das aquisições'''', diz Oliva. No Bradesco, o maior banco privado do País, as previsões para o crédito foram revisadas de um intervalo entre 20% e 25% para um crescimento entre 23% e 27%. O presidente da instituição, Márcio Cypriano, afirma que a revisão nas projeções deve-se especialmente à forte demanda nos produtos para pessoa física, como o crédito consignado e de veículos.Além disso, a procura pelo empréstimo imobiliário está surpreendendo a instituição. O volume de R$ 3 bilhões destinado ao financiamento este ano deve ser atingido no início de novembro. Para 2008, o banco vai reservar outros R$ 4 bilhões para financiar a casa própria do brasileiro, afirmou o executivo. Segundo ele, apesar do elevado crescimento, ainda há muita carência por crédito no Brasil. ''''No setor imobiliário, por exemplo, há um déficit de cerca de 7 milhões de moradias.''''Outra área que não pára de crescer é a de financiamento de veículos. Até julho, o crescimento dos empréstimos estava em 28%, afirma o diretor da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Flávio Croppo. Segundo ele, o último trimestre deve repetir o desempenho dos meses anteriores, impulsionado pela venda de carros bicombustíveis. ''''O carro flex virou uma necessidade, já que o preço do álcool é um grande diferencial.''''Essa procura maior por financiamento de veículos também tem sido verificada nos bancos de varejo, cujas taxas de crescimento estão acima de 30% no ano. A modalidade é uma das apostas do diretor de produtos do Banco ABN Amro Real, João Consiglio. Segundo ele, a expectativa para o fim do ano é de uma demanda forte por produtos voltados ao financiamento ao consumo. Alguns vão usar o 13º para pagar dívidas e, depois, fazem novos empréstimos, diz ele.Oliva, vice-presidente da ABBC, não vê nenhum fator de risco que possa atrapalhar a evolução do crédito no País este ano. Na avaliação dele, a preocupação que havia até agora com o mercado de empréstimos imobiliários de alto risco dos Estados Unidos foi reduzida com a queda dos juros promovida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e pelas medidas tomadas por bancos centrais de outros países.

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