Natal não anima camelôs da região da 25 de Março

Principal área de comércio popular do País recebe cerca de um milhão de consumidores por dia, mas vendedores ambulantes estão desanimados

Felipe Cordeiro, do Estadão,

21 de novembro de 2013 | 16h54

SÃO PAULO - Cerca de um milhão de consumidores passam diariamente pela região da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, a maior área de comércio popular do País. Mas o formigueiro humano até agora não animou os vendedores ambulantes, que projetam um Natal pior do que o do ano passado.

Segundo eles, as dificuldades impostas pela Prefeitura para a atuação, a economia instável do País e a concorrência com os comerciantes chineses são os principais fatores para a expectativa de redução das vendas.

Prefeitura. "O antigo prefeito tentou nos tirar da rua. Estamos em processo para saber se continuamos ou não", diz o vendedor ambulante Anderson Amaral Torres, que atua na 25 de Março há dez anos.

Torres se refere ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que implantou uma forte política de combate aos comerciantes informais e cassou mais de 5 mil licenças durante o seu governo.

 

O atual, Fernando Haddad (PT), tem adotado uma postura mais flexível e permitiu a atualização cadastral, em março, de 510 camelôs na região da 25 de Março que tiveram as licenças cassadas pela gestão de Kassab no final do ano passado.

"Trabalhamos sob ordem judicial. Vai ter o julgamento da nossa ação, provavelmente, até o final de novembro. Pretendemos ficar porque somos do comércio há muito tempo", afirma José Nildo Florêncio da Silva, vendedor que trabalha na região há seis anos.

Há oito anos na 25 de Março, o vendedor ambulante Elisovalter Viana Figueiredo sente falta do tempo em que os camelôs montavam as barracas na via, e não apenas nas calçadas. "Ajudava muito. Hoje, não aparecem mais novidades na rua", declara.

Segundo ele, na mesma época de 2012, o movimento na região era maior. "No ano passado, o comércio logo no final de outubro já estava reagindo. Estamos em novembro, mas veja como está a rua: vazia."

Crise e China. Na avaliação dos camelôs, a crise econômica mundial ainda preocupa os consumidores. "As pessoas estão mais temerosas em gastar, pois a cada ano o arrocho está pior. Tem menos dinheiro em circulação", diz Florêncio da Silva.

Mais antigo na profissão do que seus colegas, Wilson Catela é vendedor ambulante há 43 anos, os últimos 26 na Rua 25 de Março. Para ele, a concorrência com shoppings e outros estabelecimentos comerciais prejudicou as vendas de rua, pois antes os clientes não sabiam onde comprar os produtos e viam a 25 de Março praticamente como a única opção.

Catela é enfático ao apontar o atual grande vilão do comércio ambulante da região. "A China acaba com todos os negócios que existem, acabou com o Brasil", declara. "Não deixaram os chineses trabalharem nesta área. Então, eles montaram comércio em bairros e cidades próximas. E os clientes preferem comprar nesses locais a vir ao centro", lamenta.

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