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Natura anuncia investimentos para reverter resultados fracos

O resultado de 2007 foi um dos piores de sua história recente, com lucro igual ao de 2006

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

29 de fevereiro de 2008 | 00h00

A Natura apresentou ontem um plano de reação para reduzir custos, tornar a operação mais ágil e voltar a ganhar a participação de mercado perdida no último ano, considerado o pior da sua história recente. Para colocar o projeto em prática, a companhia pretende investir R$ 400 milhões no Brasil nos próximos três anos. Boa parte dos recursos será usada em ações de marketing, num claro contra-ataque à sua rival Avon, que entre 2005 e 2007 aumentou em 270% sua verba de marketing, segundo relatório recente do banco Credit Suisse.Para ganhar eficiência, a companhia pretende reduzir níveis hierárquicos, aumentar o número de centros de distribuição fora de São Paulo (estão previstos três ou quatro) para encurtar o tempo de entrega e diminuir o portfólio de produtos dos atuais 930 para 780 itens até 2010. "Vamos racionalizar nosso modelo e nos concentrar em quatro ou cinco grandes lançamentos realmente inovadores", afirma o presidente da Natura, Alessandro Carlucci. "A inovação é também a forma como a nossa consultora chega até a cliente." Segundo o analista do banco Espírito Santo, Luiz Cesta, essa é uma forma de estimular a consultora a vender mais produtos Natura em vez de um concorrente. Isso porque as consultoras não são exclusivas de uma marca. O plano da companhia inclui a recuperação da produtividade delas, atualmente em queda. Segundo Carlucci, a Natura dará mais treinamento e autonomia às consultoras. Ele espera também que a inauguração de 30 Casas Natura até 2010 também ajude a encurtar a distância entre a companhia com as consultoras.PEÇA-CHAVEA inovação é tida como peça-chave na companhia porque tem efeito direto sobre as vendas e o lucro. Até setembro do ano passado, o percentual da receita gerado por produtos lançados nos últimos dois anos, caiu de 66,8% para 54,2%. Com lançamentos fracos, a Natura se viu obrigada a dar mais descontos e reduzir investimentos em marketing. Resultado: as vendas e o lucro não cresceram como os acionistas gostariam. Em 2007, o faturamento da Natura foi de R$ 4,3 bilhões - 10,6% maior, mas quase três vezes menor que o da Avon e abaixo do ritmo do mercado. Entre janeiro e outubro de 2007, a participação de mercado da Natura também caiu de 22,2% para 21,9%. O lucro não mudou. Em 2007, foi de R$ 462,3 milhões. A margem Ebitda, indicador do nível de eficiência, foi 7,3% maior que no em 2006, embora abaixo da taxa de crescimento da receita. Segundo a analista de consumo do Goldman Sachs, Daniela Bretthauer, um plano agressivo para reverter os resultados já era esperado pelo mercado. "Embora a empresa já tivesse anunciado antes essa intenção, acreditamos que o mercado ainda espera detalhes e resultados mais tangíveis", diz a analista em relatório. NÚMEROS10% foi o crescimentoda receita da Natura, quase três vezes menor que a da Avon e abaixo do ritmo do mercado21,9% foi a participaçãode mercado até outubro de 2007. Em 2006, estava em 22,2%R$ 400 milhõesé o investimento previsto até 2010 para reverter os resultados

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