Natura ganha prêmio Destaque AE Empresas

Ranking, na nona edição, avaliou 199 empresas abertas com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões

, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Abaladas pela maior crise econômica das últimas décadas, várias empresas brasileiras conseguiram superar adversidades e obter resultados positivos em 2008, que resultaram em bons retornos para os investidores, mesmo em um ano marcado por perdas na Bolsa. A resistência dessas empresas fica clara no ranking elaborado pela Agência Estado em parceria com a Economática, que premiou as companhias campeãs em retorno aos acionistas em 2008. A Natura foi a vencedora tanto do prêmio Destaque Agência Estado Empresas como nas categorias Sustentabilidade e Novo Mercado. Em sua nona edição, o ranking avaliou 199 empresas de capital aberto, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões, a partir de sete critérios que levam em conta risco, liquidez, retorno, além de indicadores fundamentalistas. As dez primeiras colocadas receberam ontem o prêmio Destaque AE Empresas, cuja cerimônia contou com as presenças do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. O diretor-presidente da Natura, Alessandro Carlucci, disse ser um motivo de orgulho que as práticas de sustentabilidade e governança corporativa sejam reconhecidas pelo mercado e ressaltou o papel que o País tem no novo contexto mundial."Nós acreditamos de fato que o Brasil tem uma posição de destaque no desenvolvimento de um novo modelo de sociedade no mundo. Não é só porque o Brasil está melhor preparado para enfrentar a crise, mas também porque pode ser um modelo de desenvolvimento social e ambiental", afirmou.A aposta no crescimento do Brasil foi consenso entre empresários, reforçando as afirmações de Mantega sobre as perspectivas para a economia. "O Brasil apresenta condições sólidas e passou pelo teste de estresse da crise", disse o ministro, lembrando que as medidas anticíclicas adotadas pelo governo, especialmente pelo Banco Central e Ministério da Fazenda, foram essenciais para retomar a demanda agregada no País. Manter os investimentos é a resposta prática dessas empresas na aposta do crescimento econômico. Para 2009, todas as dez premiadas têm fortes planos de expansão, que vão desde o crescimento orgânico até aquisições e participações em grandes licitações, como a da usina Belo Monte, maior projeto hidrelétrico em andamento no Brasil. Mesmo não sendo intensiva em capital, a Natura, por exemplo, prevê aumentar seus investimentos em 40% este ano, chegando a R$ 140 milhões, sem contar os aportes adicionais em marketing e 3% da receita líquida destinados à inovação. Em comum, as dez empresas vencedoras do prêmio Destaque AE Empresas estão voltadas para o mercado interno e têm uma forte geração de caixa. A maioria delas é concessionária de serviço público e, portanto, tem tarifa regulada, estando mais protegidas das oscilações de preços em razão da queda de demanda. Essas características facilitam muito a capacidade de investimento, mesmo nos setores intensivos em capital como energia, telecomunicações e concessão rodoviária, presentes na premiação. Também contribui para os investimentos a reabertura do mercado de captações, principalmente nos últimos dois meses. A melhora tem aberto janelas de oportunidades para que as companhias voltem a vender ações em bolsa ou estudem emissões de títulos, como debêntures e notas promissórias.O BNDES, por sua vez, permanece como um dos principais atores na concessão de recursos. O banco tem disponibilidade de R$ 166 bilhões em 2009, mas Coutinho está confiante na melhora das condições do crédito bancário e, por conta disso, estima que os desembolsos efetivos fiquem em R$ 120 bilhões até dezembro, incluindo o crédito de R$ 25 bilhões para a Petrobrás.Reforçando a importância da informação para a vida dos mercados e eficiência da economia, Coutinho estimulou esse tipo de premiação. "Nós temos no Brasil o privilégio de contar com a Agência Estado, uma empresa que tem se notabilizado pelo papel cada vez mais importante nesse processo de oferecer informação aos mercados e à sociedade", disse, e pediu para que o prêmio cada vez mais valorize a boa governança e o Novo Mercado. Há três dias como CEO do Grupo Estado, Silvio Genesini falou sobre o avanço da mídia eletrônica e seu desafio à frente de um dos maiores conglomerados de mídia do País. "Venho do mercado de tecnologia e convergência de mídias e, provavelmente, essa foi uma das razões pelas quais me escolheram, para ajudar a conduzir o Estado nessa nova fase, preservando a credibilidade, a consistência, a qualidade de informação e a geração de conhecimento."O diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, alertou para a importância de editores, jornalistas e formadores de opinião ajudarem a transpor para as novas gerações o valor do jornalismo, da edição e da credibilidade. "O futuro do País, que o setor econômico e produtivo desenha, será ainda melhor se garantirmos a existência de uma imprensa livre e independente", afirmou.

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