Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Ação da Avon sobe após rumores de compra pela Natura

Embora brasileira negue que exista uma negociação em andamento, ‘WSJ’ disse que as empresas chegaram a conversar sobre aquisição

O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2018 | 18h55

A fabricante brasileira de cosméticos Natura procurou recentemente a Avon para uma possível aquisição, informou o Wall Street Journal. Segundo a publicação, fontes afirmam que as conversas ainda estão em fase preliminar, mas a notícia foi suficiente para fazer as ações da Avon subirem até 20% ontem. No fim do dia, a cotação recuou um pouco e fechou em alta de 11%. De acordo com o jornal americano, a Avon recebeu propostas de outros interessados. 

Após anos de declínio em seu negócio de vendas diretas, o valor de mercado da Avon despencou para algo em torno de US$ 900 milhões. Ainda assim, as vendas da empresa alcançaram US$ 5,7 bilhões ante US$ 1,9 bilhão em dívidas. Em nota, a Natura – que também atua na venda direta de cosméticos – afirmou que “não existem negociações em curso sobre possível aquisição da Avon e que não comenta rumores”. A Avon também se recusou a comentar.

Nos últimos anos, as ações da Avon caíram drasticamente. A empresa já ostentou um valor de mercado de mais de US$ 20 bilhões, mas viu seu desempenho cair gradativamente com a substituição do modelo de vendas diretas pelas compras online. No segundo trimestre deste anos, a receita do grupo caiu 3% em relação ao ano anterior, para US$ 1,35 bilhão, e teve prejuízo líquido de US$ 37 milhões.

Em 2016, a empresa de private equity Cerberus Capital Management pagou US$ 170 milhões por uma participação de 80% nos negócios da Avon na América do Norte, que agora é uma empresa separada (a Avon Products detém uma fatia de 20% nesse negócio). A gestora pagou outros R$ 435 milhões por 17% da própria Avon Products. 

A Natura, por sua vez, é a maior companhia de cosméticos do Brasil com uma força própria de vendas diretas em vários países da América Latina e na França. A empresa, com valor de mercado de R$ 12,1 bilhões (US$ 2,9 bilhões), foi fundada em 1969 por Luiz Seabra, que atualmente é copresidente e faz parte de um grupo de acionistas controladores.

No ano passado, a Natura – que tem como foco a venda de fragrâncias e outros produtos ecologicamente corretos – comprou a rede de varejo britânica Body Shop, da L’Oréal, por mais de US$ 1 bilhão. Isso deu à empresa uma pegada internacional maior, um novo canal de distribuição e um conjunto expandido de produtos.

A compra da Avon elevaria ainda mais essa expansão, dando à Natura maior presença no Brasil e em outros lugares da América Latina, Europa e Ásia. E a Avon teria na Body Shop um novo canal de distribuição.

Trajetória da Avon

A Avon começou em 1886 recrutando mulheres para a força de trabalho como vendedora de perfumes porta a porta. A empresa expandiu-se rapidamente e prosperou por gerações à medida que as mulheres americanas, com mais tempo de lazer e dinheiro para gastar, recebiam as senhoras da Avon em suas casas.

Pouco mais da metade da receita da Avon no ano passado veio da América Latina, enquanto cerca de 38% vieram da Europa, Oriente Médio e África, com 9% da região Ásia-Pacífico. O Brasil é o maior mercado da Avon, respondendo por de 22% de sua receita no ano passado.

Em 2012, a Avon recusou uma oferta de US$ 11 bilhões da rival Coty, optando por trazer a ex-executiva da Johnson & Johnson, Sheri McCoy, para uma reviravolta. Os resultados continuaram a cair e, em fevereiro, a Avon contratou Jan Zijderveld, veterano da Unilever, para substituir McCoy. Sua saída foi acelerada pela pressão dos investidores ativistas Barington Capital Group LP e NuOrion Partners AG, que também levaram a empresa a explorar uma venda. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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