Fabio Motta/AE
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Navios de apoio a petroleiras estão parados no Rio após confirmação de 30 casos de covid-19

Pelo menos uma das quatro embarcações presta serviço para a Petrobrás; a estatal já tem 261 contaminados pelo novo coronavírus

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 13h44

RIO - Quatro navios de apoio às plataformas de exploração e produção de petróleo e gás natural estão parados na Baía de Guanabara (RJ) há uma semana após a confirmação de casos de contaminação pelo novo coronavírus.

Nesta quinta-feira, 23, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está avaliando se as embarcações poderão seguir para os campos de petróleo. Pelo menos uma delas, a Seven Sun, da Subsea 7 Brasil, de origem inglesa, presta serviços para a Petrobrás na região de exploração do pré-sal. A estatal não se pronunciou sobre o assunto.  

Além do navio da Subsea 7 Brasil, com três casos confirmados de covid-19, estão estacionados no litoral do Rio as embarcações de apoio offshore Fulmar, com oito casos positivos;  Navegantes Pride, com 14 casos; e Skandi Peregrino, com 5 casos isolados dentro do navio. Nas outras embarcações os trabalhadores com casos confirmados foram isolados em hotéis.

A Subsea 7 Brasil confirmou que três membros da tripulação da embarcação Seven Sun foram diagnosticados com covid-19 e desembarcados desde o último dia 17. "Um deles está assintomático e os outros dois apresentam sintomas leves. Os colaboradores foram transferidos para um hotel e estão sendo acompanhados por nossa equipe médica", informou a empresa em nota.

Na quarta-feira, 22, a Petrobrás comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que desde o início da pandemia 2.048 pessoas reportaram algum tipo de sintoma respiratório para as equipes de saúde da companhia, incluindo não só seus colaboradores mas também empregados das prestadoras de serviço.

Segundo o comunicado à CVM, a estatal já tem 261 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus entre seus trabalhadores. A estatal já foi obrigada a paralisar duas plataformas por causa da pandemia - Capixaba e Cidade de Santos.

De acordo com a Subsea, a Anvisa está analisando as ações adotadas e toda a documentação referente à embarcação. A empresa afirma que as medidas estão sendo tomadas alinhadas com a agência sanitária, a Petrobrás e a Marinha do Brasil

"Todos os membros da tripulação já foram testados e já foram desembarcados todos os que apresentaram sintomas gripais. Não há outros casos confirmados até o momento", informou a Subsea, que monitora o estado de saúde de todos os colaboradores. Além disso, uma empresa especializada fez a limpeza e descontaminação de áreas comuns e cabines. "No momento, nossa prioridade é proteger e manter a segurança e o bem-estar de todos os que estão a bordo", afirmou na nota.

A Anvisa determinou que as quatro embarcações não podem operar. O objetivo é prevenir a disseminação da covid-19 entre seus tripulantes, que normalmente cumprem jornadas de longa duração em alto mar.

Segundo a Anvisa,  o tempo de impedimento para cada navio poderá variar de acordo com a data do último caso a bordo em cada navio e também com a estratégia de substituição da tripulação para cada empresa. Uma atualização da situação deverá ser publicada ainda nesta quinta-feira.

De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores do Transporte Aquaviários e Afins (FNTTAA), Ricardo Ponzi, esses não são os únicos casos de contaminação por coronavírus em navios de apoio offshore das petroleiras.

"Não é o primeiro e nem vai ser o último. Se tiver um colapso nessa atividade vai parar a produção de petróleo, 90% do petróleo vem do mar”, alertou Ponzi. “Só queremos que eles retornem em segurança para o alto mar."

A FNTTAA reúne mais de 10 mil trabalhadores marítimos da exploração e produção de petróleo que trabalham em navios de apoio ao offshore.

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