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Necessidade de alta de juro com medidas macroprudenciais divide especialistas

Não há consenso no mercado se medidas serão suficientes para evitar que a inflação suba de forma indesejada a partir do final de 2012 

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

21 de março de 2012 | 18h08

Com a sinalização do BC de que deve cortar a Selic para 9% em abril e parar nesse patamar por um bom tempo, o mercado financeiro começa a especular como deve ficar a política monetária a partir do final deste ano, quando o nível de atividade voltar a ganhar tração. Especialistas ouvidos pela Agência Estado divergem sobre se o uso de medidas macroprudenciais precisará ou não ser seguida de alta de juros para conter aquecimento acima do esperado da demanda agregada.

Para o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, as medidas macroprudenciais serão suficientes para evitar que a inflação suba de forma indesejada a partir do final de 2012. Ao verificar o consumo das famílias mais os investimentos, responsáveis por 80% do PIB do País, ele apurou que ocorreu uma alta média de 8,20% em 2010. Contudo, no primeiro semestre de 2011, depois de o governo ter adotado ações para restringir a concessão de crédito, ocorreu uma desaceleração para 2,5% ao ano nesse binômio. Tal taxa registrou queda de 1% no terceiro trimestre de 2011, com a adição dos impactos da crise externa nas expectativas de consumidores e empresários no Brasil.

"As medidas macroprudenciais são um poderoso instrumento de política monetária que já foram comprovadas em termos práticos no País nos últimos três anos", comentou Borges. Por esse motivo, ele acredita que a Selic permanecerá em 9% a partir de abril até o final de 2013. Sem a implementação de medidas macroprudenciais no início do próximo ano, segundo ele, em 2013 o PIB cresceria 4,7% enquanto o IPCA subiria entre 5,5% e 6%. Com a adoção dessas ações de restrição de crédito, ele pondera que no ano que vem o nível de atividade e a inflação vão avançar um pouco menos, pois prevê que o produto interno bruto deve subir 4,3% e a inflação deve apresentar uma alta de 5,2%.

Na avaliação do ex-Secretário do Tesouro Nacional e economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall, os juros devem ficar estáveis em 9% até o final de 2013, sem haver a necessidade de o governo de adotar medidas macroprudenciais no começo de 2013. "O nível de atividade deve permanecer bem comportado em 2012 e no próximo ano, inclusive porque a política fiscal é restritiva na margem", disse. Ele prevê que o PIB deve exibir alta de 3,3% neste ano, com viés de baixa, e de 3,7%,no ano que vem. Para ele, o emprego de medidas macroprudenciais seria oportuno caso a economia venha a registrar um forte incremento baseado na expansão do crédito no curto prazo.

Para um outro segmento de especialistas, contudo, será inevitável que o BC aumente os juros no próximo ano junto com a adoção de ações para limitar a concessão de crédito. "O uso de medidas macroprudenciais é a primeira linha de defesa do Banco Central para conter a atividade. Mas no próximo ano será necessário elevar também a Selic levemente, algo entre 0,50 e 1,00 ponto porcentual", comentou o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. Segundo ele, sem esse conjunto de ações o governo continuará a ver descoordenadas as expectativas de inflação. Mesmo com essas ações, ele espera que o IPCA fechará este ano ao redor de 5,5% e deve ficar entre 6% e 6,5% em 2013. "Esqueça a meta de 4,5%. Ela não existe mais porque se tornou a quarta prioridade do BC. A primeira e o juro baixo, a segunda é o crescimento do País e a terceira é o câmbio barato", disse.

Na opinião do economista e sócio da MCM, Antônio Madeira, o nível de atividade doméstico deve avançar de forma expressiva a partir do segundo trimestre e manter uma velocidade elevada até o final do ano, acima do potencial do País, que para ele está entre 3,5% e 4%. Na sua avaliação, o PIB deve apresentar uma alta na margem, em termos anualizados, de 2,6% no primeiro trimestre, que deve subir 6,13% entre abril e junho, apresentar uma alta de 6,2% no terceiro trimestre e exibir um incremento de 4,90% de outubro a dezembro.

"Nesse contexto de PIB crescendo muito acima do potencial, os fundamentos vão mostrar que a pressão de alta da inflação deve ocorrer no próximo ano", comentou Madeira. Segundo ele, depois do IPCA registrar elevação de 5,2% em 2012, a taxa deve subir e atingir 5,5% em 2013, mesmo com a implementação de medidas macroprudenciais e de um aumento de um ponto porcentual da Selic no segundo trimestre do ano que vem. "Somente com a adoção das medidas para restrição da velocidade de crédito, sem elevar os juros para 10% ao ano, a inflação deverá fechar o próximo ano perto de 6%", disse. 

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