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Necessidade de plano anticrise não é clara, diz Meirelles

Em entrevista à Bloomberg, presidente do BC diz que pacote de estímulo à economia brasileira ainda é incerto

Agência Estado,

10 de novembro de 2008 | 10h39

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 10, em entrevista à emissora de TV da Bloomberg, que ainda não está claro se há necessidade ou não de um plano de estímulo à economia brasileira. No último domingo, a China anunciou um megapacote econômico de US$ 586 bilhões até 2010 para impulsionar a demanda doméstica, mas Meirelles evitou falar, de forma mais assertiva, sobre um pacote semelhante para o Brasil. "Vamos aguardar à medida em que um plano não está definido e as necessidades ainda não estão claras."  Veja também:Saída para a crise financeira precisa ser global, defende LulaSaiba os assuntos que serão discutidos no G-20 De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  Meirelles afirmou que, em primeiro lugar, há uma crise de crédito e o Banco Central tem respondido com ações para melhorar a liquidez. Além disso, "o governo tomou uma série de medidas através dos bancos oficiais e vamos aguardar o efeito dessas medidas." O presidente do BC afirmou que "haverá desaceleração do crescimento econômico em vários países, incluindo o Brasil". Meirelles citou as estimativas do Fundo Monetário Internacional, que reduziu a projeção de crescimento da economia mundial para 2,2% em 2009, ante 3,0%, na revisão do relatório de Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgada na semana passada. "É um decréscimo substancial. O Brasil será impactado por isso, mas esperamos que o País cresça acima da média global", avaliou.  Fusões de bancos Sobre a possibilidade de novas consolidações no setor bancário brasileiro, o presidente do BC afirmou que não há dúvida de que o fenômeno da consolidação acontece no mundo, em razão da desalavancagem de ativos que está ocorrendo. Em relação ao caso do Brasil, Meirelles disse que "o BC vai analisar qualquer proposta específica em seu devido tempo." Crédito Meirelles observou ainda que é prematuro fazer previsões sobre quando o Brasil poderá voltar à normalidade do crédito vista antes da crise, uma vez que, segundo ele, as causas da escassez atual extrapolam as fronteiras brasileiras.  "Vamos aguardar para verificar até que ponto poderemos atingir níveis próximos aos anteriores. Mas o nível de crédito que prevalecia antes da crise não será mantido", advertiu. Meirelles repetiu ainda que o BC está monitorando a situação cuidadosamente e o governo tem deixado claro que está tomando as medidas necessárias e continuará atento, principalmente, se a situação atingir níveis incompatíveis com o que se pode esperar do Brasil.  Maior controle Meirelles também afirmou que o Brasil é favorável a que se aumente o escopo de supervisão em diversos países. Ele lembrou que, em alguns deles, os bancos de investimentos não eram supervisionados, ao contrário do Brasil. "Devemos avançar na avaliação e supervisão de operações que extrapolam as fronteiras nacionais", afirmou Meirelles. "Em resumo, a visão é de que se trata de maior segurança e controle de resultados." O presidente do BC afirmou que, se de um lado, não se deve ter intervenção excessiva, por outro lado, como crises sistêmicas normalmente exigem o uso de recurso públicos, é preciso regulação no sentido de evitar excessos ou mau uso desses recursos.

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