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Necessidade de repensar a política monetária

O ano de 2011 foi rico em ensinamentos sobre política monetária, que o governo deveria aproveitar.

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h08

As atas do Comitê de Política Monetária (Copom) sempre disseram que uma mudança da taxa Selic só tem efeito no longo prazo. Mas, depois de duas reduções, o que se constata é que as taxas praticadas pelas instituições financeiras, pelo menos no caso das pessoas físicas, aumentaram. A alegação é de que os bancos temem uma elevação da inadimplência e por isso aumentam o spread, frustrando a esperança das famílias, assim como a do governo, que achava que as decisões do Copom estimulariam as vendas no mercado doméstico.

A inadimplência não passa de pretexto. Na realidade, seu aumento ocorre basicamente nos cartões de crédito, que os bancos distribuíram em grande escala, sem examinar se seus usuários teriam a capacidade de usá-los com prudência, e que são meios de pagamentos que oferecem grandes vantagens às instituições financeiras. É preciso acrescentar que, quando se registra um atraso no pagamento dos cartões, os juros que os bancos cobram são tão punitivos que favorecem ainda mais a inadimplência. Seria necessário que as autoridades monetárias regulamentassem a distribuição dos cartões e as taxas de juros em caso de atraso.

Resta saber se uma taxa de juros básica muito maior do que na grande maioria dos países chega a produzir os efeitos que dela se esperam. Parece-nos que um instrumento cujos efeitos demoram mais de seis meses para aparecer não é o ideal. Seria necessário, a nosso ver, que a taxa fosse menor, mas que pudesse ser fortemente elevada por um tempo curto diante de uma ameaça inflacionária, tendo assim um efeito mais imediato.

A experiência deste ano mostrou que medidas macroprudenciais têm efeito mais rápido e mais profundo, o que deveria levar as autoridades monetárias a recorrer a elas logo que se verificasse a necessidade de dar um impulso à economia, com ampliação do crédito e redução do recolhimento compulsório de depósitos, ou fazer o contrário, no caso de pressões inflacionárias.

Às autoridades monetárias caberia a decisão estratégica de não ampliar a situação de taxas de juros mais elevadas e oferta de crédito mais apertada, em relação a outros países, quando o País enfrenta concorrência estrangeira. Isso nos parece mais construtivo do que recorrer a medidas protecionistas, que impedem a população de se aproveitar de produtos estrangeiros com maior conteúdo tecnológico e preço menor.

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