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Negociação é ''ilegal e secreta'', diz Casino

Em comunicado ao mercado, sócio francês do Pão de Açúcar argumenta que nenhuma operação poderia ser discutida sem a sua participação

Sabrina Valle e Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

Os desentendimentos entre o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, e seu sócio brasileiro no Pão de Açúcar, Abilio Diniz, afloraram ontem em documentos públicos, com troca de acusações feitas em comunicados ao mercado.

Naouri tachou de "secretas e ilegais" as negociações realizadas entre Abilio e Carrefour, até então, segundo ele, negadas pelo brasileiro. O presidente do Casino argumentou que, conforme o acordo fechado anos atrás, nenhuma negociação sobre o futuro Pão de Açúcar poderia estar acontecendo sem a sua participação. O sócio francês diz que descobriu as negociações em curso e, inicialmente, lembrou as partes dessa obrigação. "Apesar do lembrete, eles continuaram com as discussões, deliberadamente ignorando a lei e a ética de negócios básica", afirma o comunicado divulgado na França.

No comunicado, Naouri solicita nominalmente a Diniz, na qualidade de presidente do conselho da Wilkes (holding que controla o Pão de Açúcar), a convocação imediata de uma reunião para discutir os termos da proposta apresentada. Diz ainda que, "diante de uma agressão dessa grandeza", o Casino não hesitará em "adotar todas medidas cabíveis para a preservação dos interesses da companhia e de todos os seus acionistas".

Quatro minutos depois, foi a vez de Diniz enviar um comunicado no qual diz que está sendo alvo de "manifestações agressivas" e ataques por parte de Naouri por intermédio da imprensa. O empresário diz que essas manifestações "distorcem completamente" a realidade dos fatos e defende que a proposta seja analisada com serenidade e de forma objetiva, buscando os interesses do Pão de Açúcar.

"Estou em Paris há 24 horas, tentando sem sucesso um encontro com Jean Charles Naouri, a fim de discutirmos a proposta que recebemos e precisa ser analisada. Ele se nega a dialogar, prefere me atacar pela imprensa. Não consigo entender o propósito disso." Diniz afirma ainda que continuará empenhado em chegar a uma solução amigável para o bem da companhia e de todas as partes.

Surpresa. O envolvimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na proposta foi o que mais surpreendeu o Casino. Segundo uma fonte que acompanha as negociações, a companhia está bem capitalizada e não precisaria de aporte do BNDES para viabilizar a operação com o Carrefour.

"Me surpreende bastante a participação do BNDES, que está quase financiando uma aquisição hostil sem conversar com o principal acionista da companhia", afirmou. De acordo com a fonte, o grupo Casino enxerga grandes entraves à fusão do lado da defesa da concorrência, visto que as duas empresas têm grande concentração de lojas, especialmente na Região Sudeste.

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