Marcelo Camargo/Ag.Brasil
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Negociação Mercosul-UE já dura muito tempo e está na hora de ser concluída, diz ministro

Aloysio Nunes Ferreira disse que o País está empenhado em criar acordos comerciais e de investimentos entre os países do Mercosul

Célia Froufe, enviada especial

25 de julho de 2018 | 09h48

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, deu uma indireta na manhã desta quarta-feira, 25, à demora de uma conclusão sobre um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Ao falar para um grupo de empresários que acompanha a 10ª cúpula dos BRICS, em Johannesburgo, na África do Sul, ele citava os acordos comerciais fechados pelo Brasil por meio do seu bloco regional, quando mencionou a morosidade das tratativas com a Europa. "A negociação Mercosul-UE já dura muito tempo, e está na hora de ser concluída", afirmou.

O ministro disse que o País está empenhado em criar acordos comerciais e de investimentos entre os países do Mercosul, que é um bloco importante devido a sua presença na economia mundial, e também entre outros países e blocos. "Já iniciamos negociação Mercosul-Canadá, a do Mercosul-Singapura foi lançada há dois dias, a do Mercosul e Coreia do Sul, a do Mercosul e países do EFTA", enumerou, abordando, por último a sigla, em inglês, da Associação Europeia de Livre Comércio. 

Nunes informou também que há interesse do setor privado brasileiro e do japonês em relação a um acordo entre o Mercosul e o Japão. "Nos esforçamos também na pauta de preferências comerciais mais amplas do que temos hoje com o Sacu (sigla em inglês para União Aduaneira da África Austral) e com a Índia, em particular, que são ainda reduzidas", pontuou. 

Sobre a economia brasileira, o ministro enfatizou a reforma feita na legislação laboral, o "enfrentamento" do déficit fiscal, que, segundo ele, permitiu a "redução substancial" da taxa de juros do País ao lado da queda "muito significativa" da inflação. "O Brasil retoma agora depois de dois anos de profunda recessão, com um pequeno crescimento. O crescimento é de 1,8% este ano, mas tendo como referência a depressão que tivemos em 2015 e 2016 é um passo importante", comparou.

Ainda aos empresários, Nunes disse que o Brasil é um País acolhedor, que tem regras jurídicas estáveis e um poder judiciário que funciona. "Trabalhamos para aumentar a transparência entre governo e sociedade e o intercâmbio de informações deve continuar."

OMC

O ministro fez uma grande defesa à Organização Mundial do Comércio (OMC), dirigida pelo brasileiro Roberto Azevêdo. "Entendemos que a estabilidade de regras, em que todos participam da sua elaboração, hoje no âmbito da OMC, é importante para a prosperidade econômica, especialmente para países em desenvolvimento, como o Brasil, mas é importante também para a paz no mundo", afirmou aos empresários. "A existência de ambiente onde haja congraçamento das entidades civis entre as economias de diferentes países é importante para a paz mundial, este é um assunto no qual eu gostaria de insistir", continuou.

Nunes enfatizou que, ao mesmo tempo em que o protecionismo ganha "enorme força", principalmente a partir da política atual do governo dos Estados Unidos, o Brasil também vê com muita preocupação o nascimento de nacionalismos. "Muitas vezes vêm acompanhados de xenofobia, de restrição ao intercambio econômico e da criminalização em muitos casos de imigração", citou.

O Brasil, de acordo com o ministro, se coloca junto com outros países, especialmente dos membros do BRICS, na contracorrente dessa tendência. Para nós, o fortalecimento da OMC, que se encontra hoje ameaçada em seu funcionamento e na sua própria viabilidade, é uma linha essencial da política brasileira, e creio que é também algo que reúne os BRICS", disse. Para ele, este é um tema sobre o qual o grupo deve manifestar liderança e um protagonismo bastante eficiente para a defesa do comércio sujeito a regras e multilateralismo. "Esta é uma posição de princípio do Brasil escrita inclusive na nossa constituição."

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