Negociação na OMC caminha para o fracasso

Os principais negociadores de vários países da Organização Mundial do Comércio (OMC) tentaram evitar hoje mostrar o impacto da incapacidade em encontrar consensos e se mostraram mais distantes que nunca de um acordo sobre os assuntos fundamentais da rodada de Doha (2001), que prevê a abertura comercial global. O representante de Comércio dos EUA, Rob Portman, afirmou que se comprometeu a, na reunião de dezembro em Hong Kong, "encontrar a base adequada para uma conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha no final de 2006". Já o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, afirmou que "a União Européia (UE) não desiste de conseguir discutir, em Hong Kong, todas as modalidades da negociação". O principal empecilho às negociações continua sendo a agricultura e o acesso aos mercados, o que bloqueia qualquer progresso nas outras áreas e atrapalha o fim da Rodada de Doha em 2006. O andamento das negociações "depende do que sejamos capazes de fazer em agricultura", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que insistiu que todos os países têm de "encontrar uma solução realista" a este bloqueio total. Os países do Grupo dos Vinte (G20), que reúne a nações em desenvolvimento, na maioria latino-americanas, destacaram que a agricultura "é o centro da Rodada de Doha e o motor das negociações". Os 148 países da OMC querem definir na reunião, de 13 a 18 de dezembro, as modalidades do que deverá ser a abertura do comércio em áreas como a agricultura, o acesso aos mercados para produtos industriais ou serviços, entre outros, incluindo as fórmulas a aplicar para reduzir tarifas.

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