Negociação para evitar abismo fiscal é retomada

Casa Branca volta hoje a discutir com parlamentares republicanos saídas para o impasse

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h06

Na estaca zero, a Casa Branca e a bancada republicana no Congresso americano retomam hoje as discussões sobre um acordo para evitar o abismo fiscal a partir de 1.º de janeiro.

A ambição tende a ser diminuída, conforme já propôs o presidente dos EUA, Barack Obama, com a omissão do principal objetivo desse acerto: fixar cortes de gastos federais e aumento de impostos em dez anos para reduzir a dívida pública hoje de US$ 16,4 bilhões. Faltam apenas quatro dias dias para o prazo final.

O desespero da Casa Branca é visível. Barack Obama antecipou seu retorno do Havaí, onde passou o Natal com a família, para desembarcar na manhã de hoje em Washington e retomar as conversas. Seu principal aliado, o senador democrata Harry Reid, estará a postos. O republicano John Boehner, presidente da Câmara, ainda não chamou sua base para Washington.

O impasse criado na sexta-feira se manteve congelado nos dias de festa. Boehner sofrera uma rebelião dos republicanos radicais (Tea Party) na noite anterior. O grupo recusou-se a votar em favor da proposta de Boehner, o chamado Plano B, que envolvia a aplicação da alíquota regular de Imposto de Renda para americanos com ganhos anuais superiores a US$ 1 milhão.

Desde 2006, os contribuintes com renda acima de US$ 250 mil - 2% dos americanos - têm o benefício de pagar uma alíquota reduzida. Atado a sua promessa de campanha eleitoral, Obama quer acabar com a benesse e garantir o IR reduzido apenas para a classe média e as pequenas empresas. Chegou a fazer uma concessão: elevar o piso de US$ 250 mil para US$ 400 mil.

Mas, para o Tea Party, o retorno da cobrança original sobre os mais ricos é politicamente lida como aumento líquido de imposto e, portanto, medida contrária a seus princípios. Os radicais, contraditoriamente, preferem abortar todo o acordo para evitar a perda desse privilégio para a classe mais alta, cientes de que todos os benefícios fiscais - para os ricos e a classe média - serão automaticamente eliminados se não houver consenso até o dia 31.

O Tea Party está ciente do impacto negativo sobre a economia americana - e, por extensão, mundial - de outras medidas automáticas a entrarem em vigor em 1.º de janeiro se não houver acordo. Serão aplicados cortes de US$ 560 bilhões nos próximos dez anos, nos gastos com defesa e na área social. Somente neste ano, a redução será de US$ 109 bilhões. O escritório de pesquisa sobre orçamento do Congresso prevê recessão e desemprego acima de 9% neste ano se o país cair no abismo fiscal.

O governo Obama pode forçar a aprovação no Senado, de maioria democrata, da proposta de ajuste nas contas públicas para os próximos dez anos ou de um plano mais enxuto, com compromissos de curto prazo. A dificuldade estará na Câmara, de maioria republicana. Ali, a Casa Branca terá de convencer pelo menos 26 deputados da oposição a votar em favor do projeto. Em princípio, os alvos seriam os 34 republicanos que devem se aposentar ou não foram reeleitos.

Starbucks. A rede de cafés Starbucks anunciou ontem uma campanha de última hora para convencer os parlamentares democratas e republicanos a aprovar um acordo fiscal. O presidente da empresa, Howard Schultz, recomendou aos funcionários das cerca de 120 unidades de Washington e arredores a escrever nos copos "vamos juntos" entre hoje e amanhã. A companhia também se valerá de propagandas em jornais e das redes sociais para divulgar sua mensagem.

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