Negociação UE-Mercosul perto do fiasco

Está perto do fracasso a nova tentativa de relançar as negociações entre Mercosul e União Europeia para um acordo de livre comércio. O clima entre os negociadores era pessimista após uma reunião de dois dias que terminou ontem em Bruxelas. O martelo deve ser batido até o dia 17 de maio, quando está prevista a reunião de cúpula das duas regiões em Madri.

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Segundo fontes ligadas ao grupo do Mercosul, os europeus endureceram sua posição e fizeram mais exigências. A avaliação é que se trata de uma estratégia para encobrir o fato que a União Europeia não tem condições políticas de fazer concessões em agricultura, por causa da resistência da França e outros países protecionistas.

"A expectativa é positiva. Tivemos avanços", disse o diretor do departamento de relações internacionais do Itamaraty, Evandro Didonet. O embaixador não quis comentar as informações que os europeus estariam pressionando o Mercosul por mais concessões. Segundo ele, não está decidido se as negociações serão relançadas no encontro dos presidentes em Madri.

Ontem os europeus fizeram três exigências adicionais ao Mercosul: elevar a abertura na indústria para quase 100%, incluir o transporte marítimo no setor de serviços, e garantir a proteção das indicações geográficas no pacote de propriedade intelectual. (Só seria considerado, por exemplo, presunto de Parma o produto feito nessa região da Itália).

Na reunião anterior entre os dois blocos em Buenos Aires, o Mercosul já havia feito concessões. O bloco incluiu autopeças e aumentou a oferta na indústria para quase 90%. E, pela primeira vez, propôs garantir a participação das empresas europeias nas licitações do governo.

Uma fonte disse que "o espaço de movimento" do Mercosul nessa etapa do processo - antes do relançamento formal das negociações - acabou. Os europeus, porém, argumentam que já assinaram acordos com países como Peru e Colômbia eliminando as tarifas de importação em todo o setor industrial.

Cotas. A UE melhorou um pouco a oferta agrícola na reunião de ontem. Pela proposta inicial, se as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio fossem concluídas, a cota para o Mercosul vender sem tarifa no bloco ficaria menor.

Os europeus retiraram essa condição para produtos como grãos, etanol ou lácteos, mas mantiveram para carne bovina, de frango e alho. Os técnicos do Mercosul avaliam que a negociação ainda está muito desequilibrada. "Não podemos abrir 100% do setor automotivo por uma cota de carnes dividida em duas etapas". disse uma fonte.

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