Negociações com a China são cada vez mais difíceis

A negociação de preços do minério de ferro se transformou nos últimos anos em um fator de atrito nas relações entre a China e os grandes fornecedores internacionais, que são a Vale e as australianas BHP e Rio Tinto. Graças ao aquecimento da demanda internacional até o ano passado, as mineradoras conseguiram impor reajustes de preços que os chineses consideravam excessivos. Com a crise internacional, a situação se inverteu e a cotação recuou em 2009 em torno de 30%.

Cenário: Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Os negociadores de Pequim consideraram a redução pequena e se recusaram a fechar acordo com os fornecedores. Isso levou à definição de preços provisórios que, na prática, foram equivalentes às cotações para os demais mercados.

A China se queixa, mas é a principal responsável pelo aquecimento do mercado. O país se transformou no maior produtor de aço do mundo, com uma capacidade de quase 700 milhões de toneladas por ano, metade do total global.

A dependência em relação à importação de minério de ferro é vista com preocupação pelas autoridades chinesas, que a consideram uma fragilidade em um setor estratégico. O Ministério da Indústria, Informação e Tecnologia divulgou ontem que quase 70% do minério de ferro utilizado pela China em 2009 foi importado de outros países, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. As autoridades de Pequim consideram estratégico adquirir mineradoras no exterior para garantir o suprimento do produto. No ano passado, a estatal Chinalco tentou comprar uma participação minoritária na Rio Tinto por US$ 19,5 bilhões, no que seria o maior investimento no exterior da história da China.

Dois meses depois de as negociações terem fracassado, quatro executivos da Rio Tinto foram presos na China sob acusação de roubarem segredo de Estado. Mais tarde, a denúncia foi amenizada para corrupção e roubo de segredo de empresas. Apesar do conflito, as duas empresas anunciaram ontem acordo para exploração conjunta da mina Simandou, na Guiné. A Rio Tinto possui 95% dos direitos de exploração do projeto, dos quais a Chinalco adquiriu 47% pelo valor de US$ 1,24 bilhão.

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