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Negociações entre Mercosul e UE podem "implodir"

Representantes do Mercosul demonstram uma crescente irritação com a recente postura adota pela União Européia (UE) nas negociações de um tratado comercial entre os dois blocos, que está iniciando uma fase considerada crucial. As discrepância entre as propostas apresentadas reservadamente pelos europeus e as suas declarações à imprensa criaram um início de um impasse no diálogo bilateral. A insatisfação entre diplomatas brasileiros e argentinos com o comportamento dos negociadores europeus é tamanha que eles admitem que as negociações "poderão implodir" se não houver uma mudança de curso no processo.Esse clima de incertezas deverá marcar a reunião do Comitê de Negociação Bi-Regional, que reunirá graduados representates dos dois lados entre segunda e sexta-feiras da próxima semana, em Bruxelas. Até o final do mês passado, quando o clima ainda era de pleno otimismo, o encontro era visto como uma oportunidade para acertar os últimos detalhes das propostas de acesso aos mercados que Mercosul e União Européia deveriam ter apresentado no dia 15 passado. Isso permitiria que um rascunho do acordo pudesse ser anunciado até o final de maio e que ele pudesse ser formalizado até outubro próximo. Mas a troca de ofertas não ocorreu, devido ao recuo dos europeus, que alegaram que era necessário mais tempo para "afinar" as propostas. Nos bastidores, representantes da UE afirmavam que não estavam satisfeitos com pontos da oferta do Mercosul, principalmente no que se refere ao acesso às compras governamentais, que consideravam insuficiente.Em uma reunião realizada em Buenos Aires nos dias 18 e 19 passados, os europeus apresentaram verbalmente algumas propostas ao Mercosul. Eles reafirmaram que pretendem adiantar, através da concessão de quotas de exportação, o acesso aos seus mercados agrícolas que será negociado na rodada multilateral do comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o relato dos europeus, essas quotas favorecem o acesso da carne, frango, etanol e alguns outros produtos agrícolas considerados fundamentais pelo Mercosul. No entanto, fontes do Itamaraty afirmam que as propostas verbais dos europeus eram muito fracas. "Etanol, por exemplo, depende do aumento do consumo na Europa e a quota para a carne é fraca demais", disse a fonte.Fontes do Mercosul dizem que a estratégia européia de usar a imprensa para conduzir a negociação é "nociva para o diálogo". Como exemplo, citam o comissário europeu para a agricultura, Franz Fischler, que ao visitar o Brasil nesta semana, disse que a Europa pretende facilitar o acesso do açúcar do Mercosul aos seus mercados. "O problema é que na reunião de Buenos Aires, quando eles relataram pontos de suas ofertas, o açúcar não foi mencionado, apenas o etanol", disse uma fonte do Itamaraty.A expectativa dos diplomatas do Mercosul é que a UE apresente no papel, formalmente, a sua proposta na reunião da próxima semana em Bruxelas. A oferta do Mercosul, segundo eles, já foi apresentada aos europeus e há duas hipóteses para o recuo. A primeira seria que os países-membros da UE estão divididos sobre a estratégia de conceder tratamento preferencial ao Mercosul na questão agrícola antes da rodada da OMC. A outra é que os Europeus estão tentando valorizar ao máximo a sua oferta.

Agencia Estado,

29 de abril de 2004 | 10h38

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