Daniel Teixeira/AE-20/7/2010
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Negociações entre Pão de Açúcar e Carrefour irritam o sócio Casino

Sócios do Pão de Açúcar dizem que jamais foram informados da existência das conversas

Patrícia Cançado / São Paulo e Andrei Netto Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

As discussões entre Carrefour e o Grupo Pão de Açúcar (GPA) sobre uma eventual fusão de suas operações no Brasil não foram autorizadas pelo sócio da companhia de Abilio Diniz, o também francês Casino. Ontem, segundo o jornal "Le Figaro", o diretor-presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, teria enviado uma carta aos executivos de São Paulo advertindo que nenhuma negociação pode ser encaminhada sem o aval dos sócios.

Na matriz do Casino, a postura do grupo brasileiro está sendo vista como uma "declaração de guerra" ao sócio francês. E, para eles, só há uma explicação: Abilio tenta achar uma forma de não ter de transferir o controle para o sócio francês. Segundo o Estado apurou, há um ano, o empresário brasileiro tenta, sem sucesso, rever o acordo de acionistas firmado com o Casino - em junho de 2012, o Casino pode exercer a opção de compra de ações ordinárias, passando a deter o controle da holding criada pelos dois. Procurado, o GPA informou que desconhece o assunto e que não comenta especulações de mercado.

No texto, Naouri aparece contrariado com o diretor-presidente mundial do Carrefour, Lars Olofsson, que teria estimulado as discussões com o Pão de Açúcar. "O Casino jamais foi informado da existência de tais negociações, sendo que acordos que nos ligam ao grupo Diniz preveem que as duas partes devem tomar todas as decisões importantes em comum acordo", diz Naouri.

Segundo fontes próximas ao Casino, Abilio teria respondido à carta, confirmando apenas que a butique de fusões e aquisições Estáter buscava saídas para seu crescimento. Abilio sempre conduziu as negociações de fusão e aquisição sozinho. Pessoas ligadas ao empresário contam que, no caso das Casas Bahia e do Ponto Frio, o empresário só levou o negócio para a aprovação dos franceses quando todos os detalhes já estavam acertados. Não é o que dizem, porém, fontes ligadas ao Casino. É fato que Abilio tinha carta branca, mas os franceses sempre eram consultados antes sobre as oportunidades de negócios. Desta vez, dizem eles, não foi o que aconteceu.

O Casino tem poder de veto e de voto em qualquer uma das decisões estratégicas tomadas no Brasil. Ou seja, nada pode ser feito sem o consentimento dos franceses. A operação com o Carrefour, seu principal concorrente na França, não agrada. Na visão dos franceses, além de ser uma operação que dificilmente seria aprovada pelo Cade, incorporar o Carrefour, um gigante com mais de 170 lojas no País, é algo muito complexo. Isso porque o Pão de Açúcar ainda não digeriu as Casas Bahia.

Em Paris, tanto o Carrefour, quanto o Casino se recusaram a comentar as novas especulações. O tema é tão sensível que até mesmo analistas de mercado consultados pelo Estado pediram anonimato. Um deles, funcionário de um grande banco da França, afirmou: "Considero muito pouco provável que o Casino aceite se desfazer de suas operações no Brasil." Análise semelhante foi feita pela consultoria francesa Cercle Finance.

O Pão de Açúcar é considerado estratégico para o Casino. Em abril passado, o balanço publicado pelo Casino indicava que o crescimento de 18,8% do volume de negócios registrado no primeiro trimestre de 2011 era atribuído à alta performance das atividades no Brasil e na Tailândia.

Além disso, ceder sua participação no Pão de Açúcar representaria para o Casino reforçar a concorrência, ao permitir a fusão do Carrefour com uma companhia que espera faturar US$ 30 bilhões em 2011. O grupo decorrente da eventual associação teria três vezes o tamanho das atividades do Walmart no Brasil, com 28% de participação no setor, reforçando ainda mais o Carrefour em seu segundo maior mercado, o primeiro fora da França. / COM REUTERS

Domínio

28%

é a participação que Grupo Pão de Açúcar e Carrefour teriam caso juntassem suas redes no Brasil. Isso é três vezes maior que a operação local do Walmart

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