Negociações mundiais de comércio aceleram, diz Amorim

As negociações mundiais de comércio estão acelerando em 2007 e os resultados das recentes eleições nos Estados Unidos e no Brasil não devem apresentar obstáculos a um possível acordo, disseram autoridades dos dois países na quarta-feira. A chefe da Representação Comercial dos EUA, Susan Schwab, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disseram após uma reunião em Nova York que uma negociação dura é necessária para reavivar a Rodada de Doha de negociações comerciais, que desmoronaram em julho devido a políticas agrícolas, mas disseram que o progresso está sendo feito de maneira tranqüila. "Tivemos uma conversa bastante construtiva, a maneira certa de começar o ano-novo. Acho que isso representa um avanço no ritmo. Encaramos essa reunião como para resolver problemas, e não para apontar (problemas)", disse Schwab a jornalistas. Amorim afirmou que o objetivo da reunião era discutir o "caminho" de um acordo. "Hoje não foi uma negociação. Discutimos fórmulas que nos permitam avançar com imaginação. Fórmulas que não substituem o que nós estávamos discutindo, mas que complementam", disse ele. "Na realidade nós estávamos discutindo mais quais os instrumentos que nós temos (para avançar as negociações) do que propriamente discutindo números hoje. Nós temos que ter a régua e o compasso acertados antes de termos o número final. Foi o que fizemos hoje", completou ele. "Claro que discutimos os principais aspectos das negociações, agricultura e serviços, mas também progressos e nossas relações entre outros países e outros grupos". As duas autoridades, que se encontraram no Rio de Janeiro em setembro, disseram que o resultado das eleições do Congresso nos EUA e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não devem mudar a direção nas negociações de comércio. O importante não é tanto qual partido está no controle, e mais que tipo de relação comercial estamos falando", disse Schwab. "E na nossa perspectiva, temos uma convergência bastante interessante acontecendo no ano de 2007". Alguns analistas temem que, com os democratas no controle do Congresso norte-americano, será difícil para o presidente George W. Bush renovar a autoridade de promoção comercial, ou TPA, que permite à Casa Branca negociar acordos que não podem ser retificados pelo Congresso. Essa legislação vence em 1 de julho e, sem uma renovação, a Rodada de Doha pode estar morta até depois da eleição presidencial nos EUA em 2008. Schwab não disse se Bush vai fazer um esforço mais forte pela renovação da TPA, mas garantiu que a Casa Branca "continua totalmente comprometida com um resultado de sucesso da Rodada de Doha". Por enquanto, entretanto, os mais importantes parceiros comerciais do mundo -- os Estados Unidos, a União Européia, o Brasil, a Índia e o Japão -- devem permanecer em "negociações quietas", disseram as autoridades. Schwab também vai discutir a Rodada de Doha com autoridades européias na próxima semana, durante uma cúpula entre EUA e União Européia em Washington, e deve se encontrar novamente com Amorim no Fórum Econômico Mundial em Davos, no final do mês.

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