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Negociações salariais pioraram em 2008, aponta Dieese

Mas, desta vez, a crise não foi a responsável. O avanço da inflação no 1º semestre teve peso maior

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

12 de março de 2009 | 12h27

Os resultados das negociações salariais brasileiras em 2008 foram um pouco piores que as do ano anterior, mas ainda positivas, já que a maioria dos acordos conseguiu igualar ou ultrapassar a inflação do período. Em 2008, 77,6% dos acordos conseguiram reajuste real, ou seja, acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ante 87,7% em 2007. Os dados são de uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta quinta-feira. Mas, de acordo com o Dieese, desta vez, a crise não foi a responsável pela piora. O avanço da inflação no primeiro semestre do ano passado pesou muito mais no resultado do que a crise financeira internacional.   Veja também:  Especial: Radar da inflação    "A crise não afetou as negociações no ano de 2008", apontou o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira. De fato, a queda no desempenho dos entendimentos salariais, observada no primeiro semestre de 2008, foi compensada pelos resultados impulsionados pelo reajuste das categorias com data-base no segundo semestre.   "O que explica esse desempenho é a questão inflacionária", destacou Silvestre, reconhecendo, entretanto, que, no quarto trimestre, quando a crise se fez sentir mais fortemente no País, muitas categorias já tinham fechado os acordos salariais. Ainda assim, a questão inflacionária foi preponderante para o desempenho no ano passado. "Quanto maior a inflação, menor tende a ser o ganho de salário", explicou Silvestre.   Setores   Entre os setores da economia, mais uma vez os melhores acordos foram registrados na indústria - 87%  deles superaram a inflação. O Dieese pesquisou 706 negociações salariais no ano passado. O Dieese lembra ainda que o resultado de 2008 foi o terceiro melhor desde o início da série.   Inflação   Em 2007, os porcentuais de reajuste iguais ou superiores à inflação foram de 95,9%. Naquele ano, a média do INPC foi de apenas 3,89%. O melhor resultado da série foi verificado em 2006, quando o porcentual de reajuste foi de 96,3% e o INPC, de 3,45%. O pior resultado da série foi registrado em 2003, quando a parcela de reajuste salarial no mínimo igual à inflação foi de 42,3% e a inflação, de 17,42%.   Em 2008, 11,9% das 706 negociações pesquisadas pelo Dieese não conseguiram zerar a inflação na data-base. Entre as que foram bem-sucedidas, 45% conseguiram porcentuais de elevações de 0,01% a 1% acima da inflação contra 39% em 2007. A parcela seguinte, que conseguiu reajuste de 1,01% a 2% superior à inflação, representou 36,9% das negociações com êxito.   O departamento chamou a atenção para a concentração das negociações bem-sucedidas que conseguiram ganhos reais entre 0,01% e 2%. Por outro lado, a entidade reconheceu que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,1% no ano passado revela que os ganhos reais dos trabalhadores estão aquém do ritmo de expansão da economia.

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