Negociadores apelam aos energéticos

Participantes dão sinais de fadiga

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

28 de julho de 2008 | 00h00

Em Genebra, já são 11 dias de negociações entre os ministros. Alguns já abandonaram a gravata. Outros confessam que tiveram de mandar seus assessores comprarem novas camisas. Com um processo lento e doloroso, a fadiga passa a fazer parte das negociações. Foram literalmente milhares de horas de negociações. O mediador do acordo no setor industrial, Don Stephanson, calculou que manteve reuniões por 2 mil horas para fazer sua proposta. Para agüentar o ritmo de negociações, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, enviou uma comunicação aos funcionários sugerindo que comam banana.Assistentes do comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, andavam pelos corredores da entidade com Red Bull e outros energéticos. Desde 2001, o processo foi interrompido em várias ocasiões, seja por motivos políticos ou incapacidade dos negociadores de superar impasses técnicos. Nos corredores da OMC, os dias misturam a exaustão dos negociadores e o entusiasmo por uma conclusão do processo. Nas salas, o cansaço é evidente e ministros chegavam a penar no uso de línguas estrangeiras por horas. O chanceler Celso Amorim brincou no sábado quando foi perguntado, perto das 21 horas, se teria ainda mais alguma reunião naquele dia, já que as negociações em várias ocasiões entraram pela madrugada. "É sábado à noite", disse. Parte de algumas delegações já começavam a deixar Genebra ontem, alegando que não previam permanecer na Suíça por tantos dias. O próprio Mandelson afirmou que as negociações dos últimos dias foram as mais difíceis de sua longa carreira política. Foi ele quem conduziu o Partido Trabalhista à vitória na Inglaterra nos anos 90. Até mesmo o Vaticano foi dar uma espiada no que se negociava. O embaixador da Santa Sé perante as organizações internacionais, Silvano Tomassi, alertou que um acordo estaria difícil porque as pessoas "não estavam prontas para um entendimento em seus corações". O Vaticano, assim como outros Estados, conta com terras subsidiadas na Europa.

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