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Negociar melhores taxas é alternativa antes de transferir a conta de banco

A queda de juros dos bancos será notada rapidamente ou essa redução dos será embutida em outras tarifas cobradas pelas instituições financeiras, enganando os correntistas?

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2012 | 03h06

Esse recente movimento de queda de juros do crédito por parte dos bancos públicos - Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) - já fez com que os bancos privados se movimentassem. Na semana passada não somente os bancos privados reduziram suas taxas de juros, como ocorreu nova redução de taxas por parte dos bancos públicos, iniciando-se a "guerra dos centésimos" porque as novas reduções estão na terceira casa decimal.

Aparentemente, a concorrência provocada pelos bancos oficiais está surtindo efeito. Mas, nós devemos ter cautela antes de transferirmos a conta para outro banco. Tente negociar melhores condições e taxas na instituição em que você já é cliente. Considere o fato de que usualmente os clientes têm uma cesta de produtos dentro do mesmo banco, como investimentos, limites de crédito, seguros. Isso traz certo poder de barganha na hora de negociar melhores condições. Lembre-se, também, de comparar taxas pelo custo total, não pelo valor nominal ou valor anunciado. Caso seja possível, peça para o banco para o qual você pretende se transferir uma simulação porque, infelizmente, há casos em que as taxas anunciadas não são aquelas efetivamente praticadas, mesmo considerando que nas prestações há incidência de IOF. Isso faz que o cliente seja enganado mesmo. No caso de optar pela mudança de seu banco atual, peça para colocar no papel tudo o que foi prometido. Uma lição de casa interessante é pesquisar acessando os sites do Banco Central (www.bc.gov.br) e da Febraban (www.febraban.org.br).

Tenho R$ 100 mil e vou aplicar esse dinheiro por um ano, mas não quero riscos. Em CDB quanto vai render em reais neste período? Há opção melhor?

Depende do que você negociar com o banco em que há intenção de fazer a aplicação. Usualmente, com o valor de R$100 mil, os bancos chegam a oferecer algo próximo a 100% do CDI. O que é um bom rendimento. Caso você consiga esse nível de taxa e o CDI fique em 9% ao ano conforme é esperado pelo mercado, é possível fazer uma estimativa. Tendo com base esse valor, aplicado por um ano, com taxa de 9% ao ano, o IR será de 17,5%, assim o resultado líquido será de R$7.425,00. Lembre-se ainda que os CDBs são garantidos até R$70 mil por instituição, por CPF, pelo Fundo Garantidor de Crédito. Considere o prazo mais longo caso queira melhorar o nível de ganho porque, a partir de 710 dias, a alíquota do IR cai para 15% do ganho auferido. Alternativas boas são os títulos do Tesouro Direto porque você poderá optar pelas Notas do Tesouro Nacional, série B (NTN-B) que oferecem taxa fixa mais variação da inflação. Você até mesmo poderá pensar em Letras do Tesouro Nacional (LTN), um título prefixado. Assim, fixará o nível de taxa sem a preocupação da queda de juros futuramente. Esses títulos não têm risco de crédito e os custos de sua operação são baixos. Você pode também pensar em fundos de renda.

Meu pai tem R$ 1 milhão aplicado num fundo que rende 99% do CDI. Ele tem 90 anos e minha mãe tem 83. Somos em quatro filhos. Esse dinheiro está na conta conjunta de meu pai e minha mãe. Eu e o gerente do banco estamos pensando em por o dinheiro em uma previdência privada pois, se um deles falecer, o valor não entra no inventário e será distribuído aos herdeiros sem cobrabça de imposto. Isso realmente compensa?

A principio sim, por um raciocínio simples: mesmo que ocorra certa perda em relação à taxa de rentabilidade oferecida pelo plano de previdência e do pagamento do Imposto de Renda sobre o ganho já realizado no CDB. Caso esse dinheiro tenha que passar por inventário, vocês terão que arcar com custos, usualmente altos, de todo processo, inclusive com honorários de advogados, de cerca de 20% do valor.

Mas, não deixem de fazer contas verificando a taxa de rentabilidade deduzida das taxas de administração e carregamento que o plano de previdência cobra. No PGBL e no VGBL, em caso de morte do participante, durante o período de acumulação, a reserva acumulada vai diretamente para os beneficiários, sem entrar no inventário. As vantagens dos planos de previdência nestes casos são, em primeiro lugar, a flexibilidade para escolher os beneficiários - pois quando da contratação, a indicação dos beneficiários em caso de falecimento do titular pode ser feita livremente, assim como o porcentual de reserva que cabe a cada um. Em segundo, há isenção de imposto de Transmissão Causa-Mortis e Doações já que para o recebimento de benefícios nesses planos não há envolvimento de custos advocatícios ou outras despesas judiciais como certidões, gastos com cartórios, etc... Finalmente, os valores acumulados não entram em inventário, proporcionando uma sensível diminuição da espera e de todo desgaste com burocracia, evitando até possíveis brigas familiares. Mas, não deixe de fazer a comparação entre o VGBL e o PGBL.

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