Negócio é bom para acionistas, mas há risco de demissões

Mercado calcula que poderão ser cortados até 10 mil empregos no Brasil

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

A compra do ABN Real pelo Santander dificilmente trará algum benefício imediato para o bolso do consumidor. Além disso, há o risco de demissão em massa de funcionários dos dois bancos, por causa da sobreposição de agências, principalmente no Estado de São Paulo. "É um ótimo negócio para os acionistas, no sentido que a instituição resultante da soma dos dois bancos vai ser mais eficiente, vai ganhar escala adequada e se tornar mais rentável", diz Erivelto Rodrigues, presidente da agência de classificação de risco Austin Rating. "Para o cliente, não vejo nenhuma mudança."Segundo ele, já existe hoje concorrência entre os grandes bancos no País, mas isso não se reflete na redução de preços de tarifas e de operações de crédito. Nesse sentido, a criação de um grande banco, que vai competir em igualdade com o Bradesco e o Itaú, coisa que até agora não existia, não deverá alterar em nada o quadro atual, ao menos no curto prazo. "Hoje, o preço das tarifas de operações bancárias está muito mais relacionado à redução da taxa básica de juros, da inadimplência e do compulsório do que ao processo de fusão e incorporação de instituições", observa.Para Rodrigues, a concorrência maior entre os bancos, que faça com que os preços caiam, só deverá existir no País quando os clientes passarem a mudar de banco por causa de tarifas e juros elevados. "O problema é que o brasileiro é muito apático em relação a isso."A analista sênior Ceres Lisboa, da Moody?s Investors Service, diz que as receitas com tarifas são importantes para os bancos e eles não vão abrir mão delas, por enquanto. Segundo ela, a concorrência tende a aumentar com a consolidação do sistema bancário, mas ainda vai demorar um pouco para que os bancos reduzam as taxas dos serviços a níveis considerados justos para o cliente. "Nos mercados mais desenvolvidos, como o dos Estados Unidos, não é a taxa que determina o lucro dos bancos e sim a conquista do cliente por eficiência nos serviços e produtos", diz a analista.A soma dos dois bancos vai resultar em 54 mil funcionários (31 mil do Real e 23 mil do Santander) e mais de 2 mil agências no País. Para os funcionários, pode significar a perda de emprego. No mercado, as especulações oscilam de 2 mil até 10 mil demissões. "Queremos negociar um acordo para uma transição tranqüila e com garantia de emprego", diz Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.Segundo ele, tanto o ABN quanto o Santander foram procurados, mas só conversarão depois que o processo for concretizado."Estamos tentando um acordo no diálogo, mas os funcionários estão dispostos a fazer greve se for necessário para garantir o emprego."FRASESErivelto RodriguesPresidente da Austin''''O preço das tarifas bancárias está muito mais relacionado à redução da taxa básica de juros, da inadimplência e do compulsório do que à fusão e incorporação de instituições''''Ceres LisboaAnalista da Moody''''s''''Nos mercados mais desenvolvidos não é a taxa que determina o lucro dos bancos e sim a conquista do cliente''''

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